Hoje nós nos
juntamos as 600 mil pessoas, sem contar as mulheres e crianças que depois de
430 anos escravos no Egito, agora caminham numa grande romaria rumo a Terra
Prometida. Cinjamo-nos com nossos cintos, calcemos nossas sandálias, e com elas
palmilhemos pelos desertos de agora rumo à direção que conduz para o Pai.
Agora, não são
mais 430 anos, mas são os anos que, compreendem, a nossa vida, anos em que
igualmente nos encontramos, presos, acorrentados e oprimidos pelos Faraós dos
nossos pecados, que gritam violentamente dentro de nós.
Preparemos
nossas promissões, amassemos nossa farinha, assemos os nossos pães, e exodamos
pelos caminhos de hoje, cruzemos os Mares Vermelhos de agora até que Cristo
vitoriosamente afogue e derrote nossos carros, cavalos e cavaleiros que nos
perseguem, nossos egoísmos e nossas ambições, e Canaã seja vislumbrada e antecipada para nós agora.
Se nossos
Faraós não forem derrotados, se nossos carros, cavalos e cavaleiros não forem
afogados, o silêncio de ontem continuará. Se insistirmos em permanecermos nas
nossas invejas e nos nossos egoísmos a sexta feira e o sábado sombrio
permanecerão.
É hora de acordarmos,
é hora de despertarmos, é hora de levantarmos e irmos com as mulheres para o
túmulo, não para encontrar um Cristo morto, sepultado e ainda derrotado pelas
forças hostis de seu tempo, mas um Cristo vitorioso, vencedor e ressuscitado.
Se assim não fosse a pedra não estaria removida e o túmulo não estaria aberto e
vazio.
É hora também de acordarmos dos nossos sonos, dos
nossos comodismos, das nossas indiferenças, é hora também de removermos as nossas pedras, pedras de nossas
tristezas, pedras de nossas angústias causadas e sentidas pelas nossas
equivocadas e erradas escolhas, pedras de ressentimentos, tudo aquilo que nos
impede de dormirmos e acordarmos na madrugada da ressurreição.
O Papa Bento XVI fala de um Êxodo espiritual, aquele Êxodo que traduz
o homem e a mulher como pessoas novas, que deixaram para trás a velha
existência, as velhas práticas e os velhos costumes, práticas e costumes de
pecados que muito feriu a imagem e semelhança do Pai nos seus filhos.
Esta noite é também de batismo, e o Papa lembrando o acontecimento do
Mar Vermelho fala que ali o povo de Deus renasceu pela mão forte de Deus quando
o arrancou da escravidão.
Então, meus irmãos, da mesma forma que no Mar Vermelho os carros e
cavalos e cavaleiros de Faraó foram afogados, e o povo foi socialmente libertado, nos deixemos nesta
noite batizar, pelo sangue de Jesus, pela água que do seu lado jorrou. Afogar
todos os nossos males, todos os nossos pecados e assim experimentarmos esta
libertação inaugurada por Cristo, pela sua Morte e Ressurreição. Libertação
essa que acontece ainda de maneira simbólica e ritual, para um dia acontecer
plena, definitiva e total. AMÉM.
Nenhum comentário:
Postar um comentário