quarta-feira, 11 de abril de 2012

HOMILIA DE SÁBADO SANTO

Caríssimos irmãos estamos celebrando a noite, mãe de todas as noites, a vigília, mãe de todas as vigílias.
Hoje nós nos juntamos as 600 mil pessoas, sem contar as mulheres e crianças que depois de 430 anos escravos no Egito, agora caminham numa grande romaria rumo a Terra Prometida. Cinjamo-nos com nossos cintos, calcemos nossas sandálias, e com elas palmilhemos pelos desertos de agora rumo à direção que conduz para o Pai.
Agora, não são mais 430 anos, mas são os anos que, compreendem, a nossa vida, anos em que igualmente nos encontramos, presos, acorrentados e oprimidos pelos Faraós dos nossos pecados, que gritam violentamente dentro de nós.
Preparemos nossas promissões, amassemos nossa farinha, assemos os nossos pães, e exodamos pelos caminhos de hoje, cruzemos os Mares Vermelhos de agora até que Cristo vitoriosamente afogue e derrote nossos carros, cavalos e cavaleiros que nos perseguem, nossos egoísmos e nossas ambições, e Canaã seja vislumbrada  e antecipada para nós agora.
Se nossos Faraós não forem derrotados, se nossos carros, cavalos e cavaleiros não forem afogados, o silêncio de ontem continuará. Se insistirmos em permanecermos nas nossas invejas e nos nossos egoísmos a sexta feira e o sábado sombrio permanecerão.
É hora de acordarmos, é hora de despertarmos, é hora de levantarmos e irmos com as mulheres para o túmulo, não para encontrar um Cristo morto, sepultado e ainda derrotado pelas forças hostis de seu tempo, mas um Cristo vitorioso, vencedor e ressuscitado. Se assim não fosse a pedra não estaria removida e o túmulo não estaria aberto e vazio.
É hora também de acordarmos dos nossos sonos, dos nossos comodismos, das nossas indiferenças, é hora também de removermos as nossas pedras, pedras de nossas tristezas, pedras de nossas angústias causadas e sentidas pelas nossas equivocadas e erradas escolhas, pedras de ressentimentos, tudo aquilo que nos impede de dormirmos e acordarmos na madrugada da ressurreição.
O Papa Bento XVI fala de um Êxodo espiritual, aquele Êxodo que traduz o homem e a mulher como pessoas novas, que deixaram para trás a velha existência, as velhas práticas e os velhos costumes, práticas e costumes de pecados que muito feriu a imagem e semelhança do Pai nos seus filhos.
Esta noite é também de batismo, e o Papa lembrando o acontecimento do Mar Vermelho fala que ali o povo de Deus renasceu pela mão forte de Deus quando o arrancou da escravidão.
Então, meus irmãos, da mesma forma que no Mar Vermelho os carros e cavalos e cavaleiros de Faraó foram afogados, e o povo  foi socialmente libertado, nos deixemos nesta noite batizar, pelo sangue de Jesus, pela água que do seu lado jorrou. Afogar todos os nossos males, todos os nossos pecados e assim experimentarmos esta libertação inaugurada por Cristo, pela sua Morte e Ressurreição. Libertação essa que acontece ainda de maneira simbólica e ritual, para um dia acontecer plena, definitiva e total. AMÉM.

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