quinta-feira, 8 de novembro de 2012

HOMILIA XXXII DOMINGO COMUM

"Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com roupas compridas, de ser cumprimentados nas praças públicas, e de sentar-se nas primeiras cadeiras nas sinagogas e nos primeiros lugares nos banquetes" Mc. 12, 38-39.

Meus irmãos comecemos por conhecer melhor esse grupo de que, tanto,  fala a Bíblia, os escribas. Quem são eles?

"Eram especialista no conhecimento dos preceitos do Senhor e das suas prescrições para o povo de Israel, eram os que interpretavam com autoridade a lei de Deus e julgavam nos tribunais os que não a cumpriam" Fernando Armellini.

Há alguns domingos atrás, refletimos neste espaço sobre um pedido feito a Jesus por dois irmãos. Tiago e João exigiam sentar-se ao lado de Jesus no Templo, como faziam aqueles que tinham o privilégio deste posto.

Jesus os reprovou, bem como o seu projeto, viu que eles não tinham compreendido nada acerca do que o Mestre havia feito e ensinado nos ítens doação e humildade.

Hoje, Jesus é muito direto, fala dos escribas, sabe da sua incoerência, conhece a sua vaidade e a sua hipocrisia, vê como eles tratam os estrangeiros, as viúvas e os órfãos, e como tentam esconder tudo isso debaixo de uma roupagem e de um verniz de santidade.

Mas o que leva Jesus ser tão crítico para com essa categoria? Por que vez por outra o encontramos em confronto com os escribas e fariseus, e, usando um tom tão forte e tão incisivo como o de hoje?

Jesus não suportava a arrogância, a vaidade e a prepotência dos fariseus e mestres da lei. A maneira como eles se separavam do povo, se distinguiam do povo, precisamente para conseguir que todos soubessem que eram de outra classe, de outra condição e de outro nível social e intelectual.

Suas vestes longas, suas faixas largas, lhes facilitavam transitar em todos os lugares, ter a cordialidade e o respeito das pessoas, e às vezes até inclinações lhes eram feitas.

"Quando não eram alvo de todos esses privilégios, quando não lhes era reservado o primeiro lugar nos banquetes, perdiam completamente o apetite". Fernando Armellini.

A propósito do que se acaba de assinalar, eu fico a imaginar a minha Igreja, fico a observar alguns líders religiosos, entre eles, bispos, padres, também leigos. Não sei se por maldade, ingonrância ou fraqueza, têm reproduzido este modelo de religiosidade.

A Igreja, a Paróquia, a Diocese, o cargo ocupado na comunidade os empoderou de tal forma, e eles passaram a ver o povo não mais como irmãos, não mais como amigos, mas como subordinados, serviçais, dominados.

Esqueceram as palavras de Jesus que disse: "Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai". Jo. 15,15.

Quando Jesus usa a expressão amigo, não está fazendo um discurso teórico e abstrato, mas fala de uma lei, a lei do amor, que vai até às últimas consequências, à doação total da vida. É esse amor que ele continua a ensinar-nos ainda hoje, para que nós, bispos, padres e coordenadores, não olhemos o povo como rebotalho e cumpridores das nossas ordens, mas como irmãos, amigos, capazes de morrermos por eles, à maneira do que fez Jesus.

 É urgente uma Igreja que se prostre, é urgente uma Igreja que se ajoelhe, é urgente uma Igreja que se curve, fazendo-se servidora dos pobres, como o fez Jesus na Última Ceia, quando se prostrou para lavar os pés dos discípulos,  ensinando,  que há muito mais alegria em conceder e brindar, do que em reter e controlar.









Nenhum comentário:

Postar um comentário