"Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra."
Caríssimos irmãos, nesta noite celebramos a Epifania do Senhor, a manifestação gloriosa de Deus no nosso meio através do seu Filho Jesus.
Como é sadio, como é confortador contemplar esta cena, Deus se gerando, Deus se encarnando, Deus se humanizando, para divino nos fazer.
É exatamente isso, num dado momento da história fomos marcados, fomos assinalados pelo pecado de Adão. Nossos primeiros pais não aceitando a sua condição humana se voltaram contra Deus. E Deus, se o quisesse poderia, através deles, ter deixado a humanidade à mercê da sua equivocada escolha. Mas, não, Deus não é vingativo, Deus não é um carrasco, Deus não é um Juiz Autoritário, não usa o meio, dente por dente, olho por olho. Ao contrário, nesses dias, provando que nossa maldade não teve força sobre Ele e sua santidade, veio para o nosso meio, aceitou nossa maneira e o nosso estado, e como havia prometido aos antigos profetas, assim o fez. "E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe, que vai ser o pastor de Israel, o meu povo". Essa é uma prova de amor, um amor tão grande, que faz o divino descer à condição humana, para que o humano torne-se divino.
E agora, depois de humanizado, depois de encarnado no seio de Maria, se manifesta, se apresenta, se oferece, convidando-nos ao seu encontro na gruta de Belém.
Ao verem de novo a estrela os magos sentiram uma alegria muito grande. O papa Bento XVI na sua homilia de hoje, pergunta: "Que homens eram esses? E depois responde: eram pessoas de coração inquieto, movidos pela busca de Deus e da salvação do mundo, homens que não se contentavam com seus rendimentos assegurados e com sua posição social provavelmente considerável, lembra o Santo Padre, mas andavam à procura de realidade maior"
Essa mesma pergunta deve ser feita por muitos de nós. Que homens somos, que jovens somos, que cristãos somos?
Somos homens que nos bastamos, não com rendimentos, porque nem rendimentos temos, mas nos bastamos com as propagandas comerciais televisivas de agora que apresentam o falso como sendo verdadeiro, nos bastamos com as músicas "ai se eu te pego", ou outras semelhantes a base de "forró", que só agridem os nossos ouvidos ou os ouvidos de quem já deixou para trás esta cultura pobre e rasteira, se é que existe cultura pobre e rasteira, nos bastamos, concordamos, e, até reproduzimos a ideologia da mídia, conservadora, e elitista, que execra um Hugo Chavez da vida, e muitos outros que não se ajoelham e não se curvam às suas vontades egoístas e tiranas.
Que homens eram eles? Eram homens de coração inquietos e buscavam em Deus a Salvação. E nós o que somos e o que buscamos? Certamente buscamos também a salvação, no entanto, precisamos ainda deixar muita coisa. Precisamos deixar nossos egoísmos e nossas vaidades, nossos caprichos e nossas verdades, nossas seguranças e tudo o que consideramos grande, para buscarmos o que é realmente maior a salvação, a santidade e a divindade manifestadas na gruta de Belém.
Certamente não será preciso levar ouro e incenso, nem mirra, até porque não dispomos desses materiais, será preciso sim levar, humildade, espírito de justiça e partilha, será preciso levar perdão e amor, porque esses instrumentos são os que similam e os que se assemelham Ao que acaba de nascer, Ele é por essência e natureza, humildade, justiça, partilha, perdão e amor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário