Mas o que significa amar Jesus? Será ficar longas horas em intimidade e adoração junto ao Santíssimo Sacramento? Será fazer longas orações? Será ainda fazer gestos fraternos, solidários, tendo em vista a fome e as doenças que matam tantos irmãos?
Meus irmãos tudo isso é valioso, é importante, é necessário, haja vista tantas pessoas que necessitam de gestos como estes. Quantas crianças bem perto de nós, quantos jovens, pais de família amargam uma vida sem vida, e lhe faltam uma vida com vida, que é vida com pão, com casa, com saúde, com educação de qualidade. Agora tudo isso, perde todas as forças se não tiver junto o tempero do amor.
E o que é o amor? O amor é o azeite, o amor é o óleo do coco que foi quebrado, queimado, pisado para alimentar o seu dono. Se fazemos todos os atos de caridade, se conduzimos os mais fortes e belos momentos de oração, se entoamos os mais belos cantos, mas se não nos dobramos, não nos quebramos, não aceitamos a humilhação; e ao contrário nos escondemos, fugimos, nos afastamos, choramigamos, e o pior construímos mentiras para nos darmos bem, faltamos com o amor. Deixamos de guardar os mandamentos do amor como sugere Jesus nesta noite.
Mas Jesus também sugere a paz. Eu vos deixo a paz, a minha paz eu vos dou, e não a dou como o mundo dá. Diante das ameaças advindas de países do médio oriente, assistimos a repetidos encontros das Nações Unidas negociando um tempo de paz entre os povos. Essa iniciativa por melhor que seja, jamais será eficaz no objetivo que pretende. A paz não é uma mercadoria que se põe sobre a mesa e se negocia às custas de cifras altas e caras. A paz é uma graça, é um dom oferecidos gratuitamente por Jesus aos corações dos homens e das mulheres, dispostos a acolhê-los e a recebê-los.
Há uma compreensão equivocada acerca da paz, como ausência de conflitos. Conflitos que surgem dentro da nossa casa, dentro da própria comunidade, revelam a dificuldade que temos para compreender a paz à maneira de Jesus.
Numa outra homilia sobre este mesmo tema, eu disse: Quantas vezes diante de situações de medo, dor, sofrimento, angústia, nós esperamos, e até clamamos por um pouco de paz. E a paz aqui é a ausência, a eliminação, o fim de tudo que até então nos machuca, nos humilha e nos fere. Pois bem, a paz que Jesus trás não tem essa finalidade. A paz que ele oferece não tem por finalidade lhe defender, lhe proteger das possíveis traições, das possíveis perseguições, das possíveis dores e sofrimentos que poderão lhe acontecer. Mas a paz que Jesus oferece é no sentido de lhe fazer uma pessoa nova, diferente, mudada. Dessa maneira, mesmo que ao seu redor as coisas, o cenário, o tempo continue fechado, escuro, você estará sereno, calmo, tranquilo, confiante, porque você mudou. Nem sempre as coisas vão mudar na hora, no tempo e do jeito que você quer. Assim, quem tem que mudar é você para suportá-las e amá-las do jeito e da forma que elas estão se dando e são.
Uma paz que não releva, uma paz que não tolera, uma paz que não supera não é paz que traz vida.
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