sábado, 4 de agosto de 2012

HOMILIA XVIII DOMINGO COMUM

 “Toda a assembleia dos israelitas pôs-se a murmurar contra Moisés e Arão no deserto. Disseram-lhes: Oxalá! Tivéssemos sido mortos pela mão do Senhor no Egito. À tarde, com efeito, subiram codornizes, e cobriram o acampamento” Ex. 2-3a. 13a.

Meus irmãos sobre as codornizes e o maná: “Durante suas longas migrações em direção ao sul, estes pássaros costumam descansar, esgotados que estão pela longa viagem, no deserto do Sinai. O maná de que se alimentam os israelitas no deserto, não foi uma milagrosa chuva de um alimento saboroso caído do céu, mas uma substância muito natural, uma espécie de pingo de açúcar que goteja de um arbusto que ainda em nossos dias cresce no deserto do Sinai. Deus alimentou o seu povo fazendo-os encontrar este alimento, e esta providência foi interpretada como um sinal da sua proteção, como um milagre”. Fernando Armellini.

Ainda sobre o Maná: Pensa-se algumas vezes que os filhos de Israel comeram somente Maná durante os quarenta anos em que passaram pelo deserto, porém, estudos feitos com os livros que cobrem este período, Levítico, Números, Deuteronômio, mostram como eles se utilizaram de outros tipos de alimentos.

"Mesmo assim, no primeiro mês do segundo ano da saída do Egito, eles celebraram a Páscoa, comendo cordeiro, pães ázimos e ervas amargas". Num. 9

‘Toda a assembleia pôs-se a murmurar’. Meus irmãos o que é a murmuração? A murmuração não é outra coisa, senão, a declaração as vezes velada, e às vezes aberta de que estamos descontentes com alguma coisa, com o irmão e com o próprio Deus, como é o caso do episódio de hoje.

Quando murmuramos estamos dizendo que não confiamos, que não abraçamos, que não concordamos, que não acreditamos, que não apoiamos o propósito de Deus em nossa vida, o propósito do irmão em nossa vida. E dessa maneira a murmuração passa a ser também uma ingratidão, uma falta de humildade, uma falta de amor.

E é exatamente essa falta de amor que tira a capacidade de se dar um passo maior e mais profundo sem reclamar, um passo maior sem criticar, um passo maior sem condenar, um passo maior sem fazer mau juízo do irmão.

Mas, nem sempre conseguimos, porque somos fracos. Aí desistimos. Desistimos do irmão, desistimos da comunidade, desistimos da Igreja, desistimos do próprio Deus.

Desistimos de nos converter, desistimos de nos santificar, desistimos de nos renovar, desistimos, porque as panelas do Egito, as panelas não de carne, mas de mágoa, de ressentimento, acabam sendo mais atraentes. E assim deixamos de dar um grande passo na linha da conversão e da santidade.

“Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: Mestre, quando chegaste aqui?” Jo. 6,25

Meus irmãos como é agradável, saudável saber que o povo está à procura de Jesus, melhor se não fosse em busca de milagres, como o que acabou de acontecer, o da multiplicação dos pães. Mas é tão clara a razão porque estão ali, que Jesus nem responde à pergunta deles e lhes fala, orientando-os com muita franqueza: "Não procureis pelo alimento que perece, mas o que dura até a vida eterna".

Hoje, após mais de dois mil anos, quantos de nós, católicos, protestantes, repetimos o gesto dos judeus, ou seja, procuramos Jesus, não pela sua palavra e o que esta pode mudar em nós, mas por causa de um possível milagre, que ele possa realizar em nossa vida.

Muitos acreditam que fazendo certas devoções, Deus os defenda de perigos, fomes, doenças, inimizades, sofrimentos. E mais, com estas práticas poderão melhorar de vida no que diz respeito à prosperidade, bens, casa, riquezas.

Acontece, que muitos desses fiéis, depois de algum tempo se dão conta de que suas preces e orações não estão os ajudando a atingir seus objetivos. Com isso, muitos acabam deixando a Igreja e migram para outras religiões, seitas, porque lá há curas, milagres, prosperidade.

Que cristão nós somos? Que católicos nós somos? Sem dúvida, somos cristãos de fachada, sem dúvida, somos cristãos de mentira. Um cristão de verdade não abdica da cruz, mesmo se essa lhe causa tão grande dor, como é próprio das cruzes. A cruz que não causa dor, não é cruz.

E errado você vir aqui pedir uma cura? É errado você vir aqui pedir uma graça para a sua vida e de seus familiares? Não. Porém ser cristão exige muito mais, ser cristão requer algo mais profundo de você. Ser cristão exige que você ame, e muitas vezes esse amar se traduz na perda total, na entrega total que você faz de você, de sua vida, de seus interesses, em favor do outro. E se você faz isso por causa de Cristo, você é uma pessoa salva. Isto é maior que qualquer bem ou riqueza material.








Nenhum comentário:

Postar um comentário