sábado, 20 de outubro de 2012

HOMILIA DO XXIX DOMINGO COMUM

 "Mestre queremos que nos conceda tudo o que te pedirmos. Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda". Mc 10 35b.37.

Caríssimos irmãos Jesus e os discípulos estão caminhando para Jerusalém. e, já por três vezes anunciara que lá o matarão. Esses anúncios, bem como os conflitos já experimentados alí, fazem os discípulos temerem fazer tal caminho.


Mas Jesus ignorando o medo e o pavor dos discípulos, segue,. Ele sabe que sua vida é uma extenção, é um desenvolvimento, é um desdobramento da vida dos profetas. O profeta termina a sua caminhada em Jerusalém. 
"Jerusalem, Jerusalém tu que matas os profetas e apedrejas os que a ti são enviados, quantas vezes eu quis te agasalhar, como a galinha agasalha os seus filhotes, mas tu não o quiseste! Eis que ficarás deserta a vossa casa. Digo-vos, não me vereis até o dia em que digais. Bendito o que vem em nome Senhor" Lc 34-35


Pois bem, frente a tudo isso, os discípulos além de medo qiue os envolve, revela uma incompreensão total acerca de tudo o que Jesus está falando. Essa incompreensão aparece no pedido que acabam de fazer. 


O pedido é na direção de um cargo importante na glória de Jerusalém. Ou seja, os discípulos ainda carregavam na mente o ideal de uma conquista terrena, política e temporal. Quando na verdade Jesus falava do Reino de Deus.


E responde: Vocês não sabem o que pedis. E fala do cálice e do batismo."O cálice indica o destino, favorável ou não, de uma pessoa. Jesus está ciente que o aguarda um cálice de sofrimento, um cálice do qual gostaria de ser poupado, Sabe porém que deve ser bebido, para poder entrar na sua glória. A imagem do batismo tem o mesmo sentido, indica a passagem pelas águas da morte". Fernado Armellini.

Jesus compreende a lentidão da sua compreensão, revela que eles beberão do mesmo cálice, inclusive quando Marcos escreve este evangelho, Tiago já tinha sido martirizado. Porém, no que diz respeito ao posto à direita ou à esquerda,  não é um lugar que se compra com dinheiro ou com poder, mas sentar ao lado do Pai, é uma graça, é um dom que ele oferece a todos, dá a todos de forma gratuita.

Lá atrás os outros dez reagiram, não gostaram, reclamaram. Como os dois, eles também estavam cheios de ambição e egoísmo. Não tinham entendido nada do que Jesus havia há tanto ensinado, aspiravam poder, privilégios, desejavam também os melhores lugares, os melhores postos, as melhores posições.

E Jesus os lembra que os chefes das nações mandam nos seus súditos, os rabinos exigem que lhes beijem  as mãos, saibam dos seus títulos. É esse modelo de autoridade que devemos abraçar, imitar e seguir?

Não. O caminho que Jesus faz é outro, ele se ajoelha, ele faz a vez dos escravos, ele lava os pés dos seus súditos, dos seus discípulos, que agora não são mais súditos, mas os coloca numa posição de igualdade, e porque não dizer de senhores.

Como seria bonito que o esposo ao invés de querer que a mulher sempre o sirva, ele a servisse primeiro. Como seria bom que a Igreja, na pessoa dos seus bispos e dos seus padres, olhasse para o povo não como seus donos e seus senhores, mas como irmãos, colocando-se a seu serviço, como o fez a Samaritna no poço de Jacó, capaz de dar a vida por eles, como fez o irmão maior e Pastor, Jesus Cristo.

É preciso compreender o sentido de autoridade, é preciso compreender o sentido de poder. O poder e a autoridade que têm o seu exercício para mandar, e para manter o outro sempre em condição inferior e por baixo, é um poder ultrapassado e demente.

O poder que entendeu que é preciso servir o outro, que é preciso ouvir o outro, respeitar o outro, morrer pelo outro, é um novo poder, é um novo entendimento de poder, é uma nova leitura de poder. Essa nova forma joga uma duxa de água fria na mentalidade dos discípulos e na nossa também, que muitas vezes pisamos, humilhamos e maltratamos as pessoas em torno de nós. E se alinha e se afina com o jeito de poder de Jesus que disse: Não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate de muitos.












terça-feira, 9 de outubro de 2012

HOMILIA XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

"Bom Mestre, que farei pra alcançar a vida eterna? Jesus fixou nele o olhar e disse: Vai, vende tudo que tens e da-o aos pobres. Ele entristeceu-se com estas palavras e foi-se todo abatido, porque possuía muitos bens". Mc 10,17a.21b.22.
Caríssimos irmãos contemplemos a cena. Um judeu, jovem, que crer que a vida eterna é uma herança para aqueles que guardam com fidelidade os mandamentos de Deus, vem buscar essa certeza junto a Jesus.

Jesus por sua vez, lhes apresenta uma parte, a segunda, dos mandamentos da lei de Deus: "Não comenterás adultério,  não roubes, não diga falsos testemunhos, não cometas fraudes, honra pai e mãe". 

Hoje se levantam críticas às pessoas a respeito do seu não conhecimento e do seu não cumprimento acerca dos 10 mandamentos entregues por Deus a Moisés no Monte Sinai. Não vivê-los pode caracterizar um pecado,  e consequentemente ausência de santidade. E se a pessoa obervá-los, respeitá-los, religiosamente, mas fracassar em outros atos, deixa de ser santo? Passa a desmerecer a Salvação?

O jovem respondeu a Jesus: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude. Que coragem, que ousadia, que liberdade. Aquele homem era uma pessoa normal como qualquer outra, e com certeza caregava suas fragilidades, defeitos, misérias e mazelas, mas não se via como um condenado, um derrotado, por causa disso.

Fico observando na nossa Igreja, quantas pessoas aos domingos deixam de comungar,  umas porque há tempo não confessam, outras porque se chatearam nas canseiras do dia-a-dia, brigaram com os filhos, se impacientaram com o marido. E na hora da comunhão "um abençoado ou abençoada", toma o microfone e anuncia: Quem se encontrar preparado para a comunhão, tome a fila.

Os Mandamentos no Antigo e no Novo Testamento muitas vezes foram apresentados como um peso, um fardo difícil de carregar, onde o seu não cumprimento traria como consequência sofrimento e castigo. A sua dureza, fazia Deus parecer como um carrasco, um juiz e não como um Pai rico em amor e Misericórdia.

Será que não estamos fazendo o mesmo com a Eucaristia? Será que não estamos fazendo o mesmo com o Evangelho? Por que uma mulher não pode proclamar o Evangelho? Por que um leigo não pode proferir uma homilia?

E sobre quem está preparado para comungar? Ninguém está, nem o padre. Mas alí, tudo é graça, tudo é dom. É Deus que nos acolhe, que nos convida, que nos modela, que nos ajusta, portanto, convida a todos. Anuciar ali, na hora, essa preparação é intimidar, é constranger, é matar pessoas de bom coração, talvez com condições para a comunhão.

Com certeza Jesus jamais vai enxotar um irmão seu que chega à sua frente, cansado e fatigado à procura de uma paz e de um descanso. Agora, dependendo do que ainda falta naquela pessoa, ele vai pedir que a mesma dê um passo maior, alce um vôo mais alto. Um vôo que o faça romper com o pecado e não mais pousar sobre ele.

O vôo que ele pediu que aquele jovem desse, foi o de converter as suas riquezas, seus conhecimentos acerca da lei, e sua vivência religiosa em ato de fraternidade, misericórdia e amor. Ou seja, que ele amasse.

E ele foi embora triste e abatido, porque não quis, ou não teve forças para renunciar a tudo o que tinha. E nós também não temos. Semelhante àquele jovem, nós temos dificuldade de deixar, de renunciar, de amar, de romper com as nossas cavernas, com os nossos costumes, as nossas "seguranças" e as nossas "riquezas".

Basta olhar ao nosso redor e notar dezenas de pessoas angustiadas, amarguradas, tristes, abatidas, ressentidas e magoadas, porque não conseguiram vencer a si mesmas: seus pensamentos, seus vícios, ciúmes e paixões. Não conseguiram voar mais alto deixando lá embaixo o pecado.

Aquele jovem também não. Mas podia ter pedido um auxílio a Jesus, podia ter pedido o ombro de Jesus, podia ter feito como a mulher cananéia, que disse: Senhor socorre-me. Socorre-me no meu egoísmo, na minha vaidade, no meu orgulho, na minha avareza, no meu pecado. Jesus não teria negado.

Não foi à toa que Jesus fixou os olhos nele, o amou, o admirou, mas esperou que ele permitisse abrir o coração para que ele pudesse entrar. O coração era dele, a casa era dele, a vida era dele, a estrutura era dele. O amor era de Jesus, a paz era de Jesus, a salvação era de Jesus. Jesus quer fazer o milagre, mas o primeiro passo é nosso.