terça-feira, 9 de outubro de 2012

HOMILIA XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

"Bom Mestre, que farei pra alcançar a vida eterna? Jesus fixou nele o olhar e disse: Vai, vende tudo que tens e da-o aos pobres. Ele entristeceu-se com estas palavras e foi-se todo abatido, porque possuía muitos bens". Mc 10,17a.21b.22.
Caríssimos irmãos contemplemos a cena. Um judeu, jovem, que crer que a vida eterna é uma herança para aqueles que guardam com fidelidade os mandamentos de Deus, vem buscar essa certeza junto a Jesus.

Jesus por sua vez, lhes apresenta uma parte, a segunda, dos mandamentos da lei de Deus: "Não comenterás adultério,  não roubes, não diga falsos testemunhos, não cometas fraudes, honra pai e mãe". 

Hoje se levantam críticas às pessoas a respeito do seu não conhecimento e do seu não cumprimento acerca dos 10 mandamentos entregues por Deus a Moisés no Monte Sinai. Não vivê-los pode caracterizar um pecado,  e consequentemente ausência de santidade. E se a pessoa obervá-los, respeitá-los, religiosamente, mas fracassar em outros atos, deixa de ser santo? Passa a desmerecer a Salvação?

O jovem respondeu a Jesus: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude. Que coragem, que ousadia, que liberdade. Aquele homem era uma pessoa normal como qualquer outra, e com certeza caregava suas fragilidades, defeitos, misérias e mazelas, mas não se via como um condenado, um derrotado, por causa disso.

Fico observando na nossa Igreja, quantas pessoas aos domingos deixam de comungar,  umas porque há tempo não confessam, outras porque se chatearam nas canseiras do dia-a-dia, brigaram com os filhos, se impacientaram com o marido. E na hora da comunhão "um abençoado ou abençoada", toma o microfone e anuncia: Quem se encontrar preparado para a comunhão, tome a fila.

Os Mandamentos no Antigo e no Novo Testamento muitas vezes foram apresentados como um peso, um fardo difícil de carregar, onde o seu não cumprimento traria como consequência sofrimento e castigo. A sua dureza, fazia Deus parecer como um carrasco, um juiz e não como um Pai rico em amor e Misericórdia.

Será que não estamos fazendo o mesmo com a Eucaristia? Será que não estamos fazendo o mesmo com o Evangelho? Por que uma mulher não pode proclamar o Evangelho? Por que um leigo não pode proferir uma homilia?

E sobre quem está preparado para comungar? Ninguém está, nem o padre. Mas alí, tudo é graça, tudo é dom. É Deus que nos acolhe, que nos convida, que nos modela, que nos ajusta, portanto, convida a todos. Anuciar ali, na hora, essa preparação é intimidar, é constranger, é matar pessoas de bom coração, talvez com condições para a comunhão.

Com certeza Jesus jamais vai enxotar um irmão seu que chega à sua frente, cansado e fatigado à procura de uma paz e de um descanso. Agora, dependendo do que ainda falta naquela pessoa, ele vai pedir que a mesma dê um passo maior, alce um vôo mais alto. Um vôo que o faça romper com o pecado e não mais pousar sobre ele.

O vôo que ele pediu que aquele jovem desse, foi o de converter as suas riquezas, seus conhecimentos acerca da lei, e sua vivência religiosa em ato de fraternidade, misericórdia e amor. Ou seja, que ele amasse.

E ele foi embora triste e abatido, porque não quis, ou não teve forças para renunciar a tudo o que tinha. E nós também não temos. Semelhante àquele jovem, nós temos dificuldade de deixar, de renunciar, de amar, de romper com as nossas cavernas, com os nossos costumes, as nossas "seguranças" e as nossas "riquezas".

Basta olhar ao nosso redor e notar dezenas de pessoas angustiadas, amarguradas, tristes, abatidas, ressentidas e magoadas, porque não conseguiram vencer a si mesmas: seus pensamentos, seus vícios, ciúmes e paixões. Não conseguiram voar mais alto deixando lá embaixo o pecado.

Aquele jovem também não. Mas podia ter pedido um auxílio a Jesus, podia ter pedido o ombro de Jesus, podia ter feito como a mulher cananéia, que disse: Senhor socorre-me. Socorre-me no meu egoísmo, na minha vaidade, no meu orgulho, na minha avareza, no meu pecado. Jesus não teria negado.

Não foi à toa que Jesus fixou os olhos nele, o amou, o admirou, mas esperou que ele permitisse abrir o coração para que ele pudesse entrar. O coração era dele, a casa era dele, a vida era dele, a estrutura era dele. O amor era de Jesus, a paz era de Jesus, a salvação era de Jesus. Jesus quer fazer o milagre, mas o primeiro passo é nosso.












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