"Mestre queremos que nos conceda tudo o que te pedirmos. Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda". Mc 10 35b.37.
Caríssimos irmãos Jesus e os discípulos estão caminhando para Jerusalém. e, já por três vezes anunciara que lá o matarão. Esses anúncios, bem como os conflitos já experimentados alí, fazem os discípulos temerem fazer tal caminho.
Mas Jesus ignorando o medo e o pavor dos discípulos, segue,. Ele sabe que sua vida é uma extenção, é um desenvolvimento, é um desdobramento da vida dos profetas. O profeta termina a sua caminhada em Jerusalém.
"Jerusalem, Jerusalém tu que matas os profetas e apedrejas os que a ti são enviados, quantas vezes eu quis te agasalhar, como a galinha agasalha os seus filhotes, mas tu não o quiseste! Eis que ficarás deserta a vossa casa. Digo-vos, não me vereis até o dia em que digais. Bendito o que vem em nome Senhor" Lc 34-35
Pois bem, frente a tudo isso, os discípulos além de medo qiue os envolve, revela uma incompreensão total acerca de tudo o que Jesus está falando. Essa incompreensão aparece no pedido que acabam de fazer.
O pedido é na direção de um cargo importante na glória de Jerusalém. Ou seja, os discípulos ainda carregavam na mente o ideal de uma conquista terrena, política e temporal. Quando na verdade Jesus falava do Reino de Deus.
E responde: Vocês não sabem o que pedis. E fala do cálice e do batismo."O cálice indica o destino, favorável ou não, de uma pessoa. Jesus está ciente que o aguarda um cálice de sofrimento, um cálice do qual gostaria de ser poupado, Sabe porém que deve ser bebido, para poder entrar na sua glória. A imagem do batismo tem o mesmo sentido, indica a passagem pelas águas da morte". Fernado Armellini.
Jesus compreende a lentidão da sua compreensão, revela que eles beberão do mesmo cálice, inclusive quando Marcos escreve este evangelho, Tiago já tinha sido martirizado. Porém, no que diz respeito ao posto à direita ou à esquerda, não é um lugar que se compra com dinheiro ou com poder, mas sentar ao lado do Pai, é uma graça, é um dom que ele oferece a todos, dá a todos de forma gratuita.
Lá atrás os outros dez reagiram, não gostaram, reclamaram. Como os dois, eles também estavam cheios de ambição e egoísmo. Não tinham entendido nada do que Jesus havia há tanto ensinado, aspiravam poder, privilégios, desejavam também os melhores lugares, os melhores postos, as melhores posições.
E Jesus os lembra que os chefes das nações mandam nos seus súditos, os rabinos exigem que lhes beijem as mãos, saibam dos seus títulos. É esse modelo de autoridade que devemos abraçar, imitar e seguir?
Não. O caminho que Jesus faz é outro, ele se ajoelha, ele faz a vez dos escravos, ele lava os pés dos seus súditos, dos seus discípulos, que agora não são mais súditos, mas os coloca numa posição de igualdade, e porque não dizer de senhores.
Como seria bonito que o esposo ao invés de querer que a mulher sempre o sirva, ele a servisse primeiro. Como seria bom que a Igreja, na pessoa dos seus bispos e dos seus padres, olhasse para o povo não como seus donos e seus senhores, mas como irmãos, colocando-se a seu serviço, como o fez a Samaritna no poço de Jacó, capaz de dar a vida por eles, como fez o irmão maior e Pastor, Jesus Cristo.
É preciso compreender o sentido de autoridade, é preciso compreender o sentido de poder. O poder e a autoridade que têm o seu exercício para mandar, e para manter o outro sempre em condição inferior e por baixo, é um poder ultrapassado e demente.
O poder que entendeu que é preciso servir o outro, que é preciso ouvir o outro, respeitar o outro, morrer pelo outro, é um novo poder, é um novo entendimento de poder, é uma nova leitura de poder. Essa nova forma joga uma duxa de água fria na mentalidade dos discípulos e na nossa também, que muitas vezes pisamos, humilhamos e maltratamos as pessoas em torno de nós. E se alinha e se afina com o jeito de poder de Jesus que disse: Não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate de muitos.

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