Meus irmãos, é isso, simples. Ignorantes, falhos, cheios de defeitos e de fragilidades, mas ele, nos chamando, nos conduzindo, acreditando na nossa santidade. Mas claro com a condição de que o amemos. Pedro tu me amas?
Aqui cabe bem um trecho daquela música, "numa noite de fadiga, sobre o barco em alto mar...". Mas a fadiga aqui se relaciona ao insucesso e ao fracasso da pescaria que acabam de fazer. Os pescadores sabem como é desgastante e triste, depois de horas com as redes, as cordas, os anzóis na água, puxar e não pescar nada. Sem falar do frio ou do sol sofridos, dependendo do tempo e do horário da pescaria.
Então, como vão as vossas pescarias? É possível que à semelhança dos pescadores deste evangelho, sua noite tenha sido de muito cansaço, frio e tribulações, mas de pouco peixes. É possível também que à semelhança daqueles pescadores seu desejo agora é desistir, desanimar, juntar as redes e voltar para casa, mesmo não levando nada. Provavelmente deve ter passado pela sua cabeça o pensamento de que não vale a pena lutar, insistir nessas águas de pouco peixes.
Não desistam, não desanimem, não enfraqueçam, vocês não são quaisquer pescadores, vocês são pescadores do Mestre da Galileia, vocês são pescadores da barca de Jesus. E pescador de Jesus que se presa não desiste, não desanima, ao contrário, olha pro tempo, encara o vento, arma o pano e vai, vai lançar as redes de novo.
Todos sabem dos obstáculos que existem no mar, que não são só a ausência de peixes em alguns pontos e momentos, mas também as pedras, os paus, os capins que às vezes engancham na rede e nas cordas e atrapalham toda a pesca.
Lançar as redes de novo é lançar a palavra, é lançar o evangelho em mentes e corações nem sempre dispostos a acolhê-los e a recebê-los, uma vez que estão abarrotados com as pedras, os paus e os capins dos tempos atuais.
Lançar as redes de novo é abraçar o Mistério Pascal, fazendo esse caminho de libertação e salvação que tem como consequência a Cruz de Jesus. Caminho esse que não será feito sem abandonos, angústias e decepções. Pai! Por que me abandonaste? Gritou Jesus certa vez.
É possível que a raiva, o ressentimento, o cansaço, o desânimo, até a própria vingança queiram tomar parte nessa viagem. É possível que esses sentimentos se aproveitem da nossa fragilidade como se aproveitou da fragilidade Pedro e a gente queira construir um projeto só nosso, um projeto que não exija despojamento, desprendimento, sofrimento.
Sofrimento de amar, de acolher, de abraçar, aquele irmão, aquela irmã que mais te matou, que mais te machucou.
Mas é assim mesmo. Um dia alguém falou: "a caminhada é feita de calvário e de ressurreição". A caminhada é feita de noites e de dias, de redes cheias e de redes vazias, de morte e de vida. E tudo isso podendo acontecer numa só hora, num só encontro, em um só dia.

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