sábado, 6 de abril de 2013

II DOMINGO DE PÁSCOA


"Quando João escreve (por volta do ano 95 depois de Cristo), Tomé já havia morrido há muito tempo; portanto, o episódio não é narrado para diminuir este apóstolo. Se são sublinhados com tanta insistência os problemas sobre a fé que ele teve, o motivo é  outro, e é o seguinte: o evangelista quer responder às perguntas e às objeções que os cristãos das suas comunidades levantam com uma teimosa insistência. Trata-se de cristãos da terceira geração, de pessoas que não viram o Senhor. Muitos deles nem sequer conheceram um dos apóstolos. Têm dificuldade de crer, debatem-se em meio a muitas dúvidas, gostariam de ver, tocar, se o Senhor de fato ressuscitou". Fernando Armellini - Celebrando a Palavra.

Caríssimos irmãos as dúvidas pelas quais passam os primeiros cristãos, são praticamente as mesmas de todos os apóstolos, e, porque não dizer, continuam sendo as mesmas de muitos irmãos de agora.

A fé é um caminho que se faz, caminho nem sempre curto e rápido, mas às vezes longo, lento e difícil. Isto se percebeu nas dificuldades que os apóstolos tiveram de acreditar nos episódios das últimas horas, a saber, a Morte e a Ressurreição de Jesus. A tristeza que os envolvia, o medo que os cobria eram sinais dessa fé escassa.

"Tomé chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos contaram-lhe tudo depois. 'Vimos o Senhor'! Mas Tomé disse-lhes: Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos, e não puser a mão no seu lado, não acreditarei". Jo. 20, 24 - 25.

Não sei qual o alcance da compreensão e da fé de muitos irmãos nossos, mas ao que se vê principalmente através dos Meios de Comunicação Social, o nosso mundo cristão, onde conjuga católicos e evangélicos, está cheio de Tomés ou de irmãos semelhantes aos da comunidade de São João. Irmãos que querem ver, tocar, sentir, para poder crer. E demonstram isso pegando na toalha suada do pastor, na imagem daquele santo ou daquela santa, naquele copo de água posto sobre a Televisão.

Não sabemos, mas ao que estamos vendo Tomé devia ter sido um homem com grandes dificuldades no quesito fé. E São João lembrou desse homem para servir de figura quando questionado em sua própria comunidade.

Jamais, nem eles, nem nós conseguiremos tocar, apalpar o ressuscitado, se  o quisermos, tem que ser mesmo através da fé. Se é através da fé, logo, deduzimos que aquele Jesus que andava, falava, brigava, comia, bebia, fazia milagres, nunca disse: "Põe o teu dedo e olha as minhas mãos..." Jo. 20, 27a. Mas disse, e diz em toda Eucaristia que acontece a cada domingo. Quem tem a coragem de deixar suas casas, seus afazeres, seus programas e seus prazeres para ir à Igreja no dia do Senhor, esse ouvirá do Presidente da Celebração - "A Paz esteja convosco". E nesta hora este irmão, esta irmã está tendo um encontro com o Cristo Ressuscitado.  E, não, como queriam as comunidades de São João, e como muitos de nós ainda hoje querem.







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