domingo, 4 de maio de 2014

HOMILIA 3º DOMINGO DA PÁSCOA

Ó insensatos e duros de coração para acreditar nas palavras dos profetas! Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?”

Meus irmãos Jesus é aquele que continua caminhando conosco, continua caminhando com a comunidade, para revelar, para explicar o sentido da sua morte e da sua ressurreição.

Mas tem um problema, essa comunidade continua dando sinais de fraqueza, de falta de fé, e não consegue entender, não consegue conceber, não consegue aceitar tudo o que ocorreu com Jesus, porque O associava aos grandes líderes, um homem poderoso, e uma pessoa que jamais deveria morrer, pois os rabinos ensinavam que o Messias levaria uma vida de mais de mil anos, mas esse morreu com uns 30 anos. Não entendendo, continua vendo Jesus um homem derrotado, um homem vencido pela morte.

Nessa condição, nenhum sinal é suficiente para despertá-los de sua ignorância, nem o testemunho dado pelas mulheres, nem a pedra removida, nada consegue mudar a mente e o coração daqueles homens.

Como sois lentos, insensatos e duros de compreender... Meus irmãos, assistindo esta cena, eu me volto para os milhares discípulos e discípulas existentes nas nossas pequenas Emaús de agora.

Pessoas fechadas, duras na forma de se dirigir aos seus irmãos de caminhada, lentas em compreender, não racionalmente, mas em perdoar, em deixar para trás, ranços, mágoas e ressentimentos.

Irmãos e irmãs de caminhada, que manifestam a maior dificuldade em abraçar mudanças, medo de abandonar os velhos costumes, porque também não estão dispostos a sair da mesmice e do comodismo. Para eles conforta-lhes uma Igreja que reza o terço, faz novenas, celebrar missas e comunga nestas mesmas missas.

Mas, ir ao encontro das pessoas, sentar com o diferente, seja ele sócio - cultural ou religioso; participar de cursos, reuniões, assembleias, descentralizar as atividades, tirando-as do centro e levando-as para o seio das comunidades. Tudo isso se apresenta como um fardo muito grande e muito pesado.

Nesse sentido, como fez Jesus hoje na estrada de Emaús, a palavra tem que ser mais bem explicada, mas não só explicada, tem que ser também praticada, testemunhada. De forma que esses corações e essas mentes tão tristes e tão duros; tão tristes e tão impenetráveis, possam aos poucos começar a arder. E se toda a catequese da Igreja, todas as Eucaristias, todas as novenas e romarias que você participa, não tiverem forças para mudar esse coração duro e frio, você não tem outra saída, a saída é gritar com os discípulos de Emaús: Fica conosco Senhor.




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