domingo, 11 de maio de 2014

HOMILIA IV DOMINGO DA PÁSCOA

A PORTA
Sobre o Evangelho de hoje, bem como as dificuldades de se penetrar no seu conteúdo, se faz necessário uma pequena viagem histórica no contexto de onde o mesmo nasceu.

Segundo Fernando Armellini, "os pastores do tempo de Jesus, não eram aquelas pessoas boas, pacíficas, agradáveis como as vezes imaginamos. Pelo contrário, eram homens fortes, violentos, rudes, com o rosto queimado pelo sol, acostumados a lutar contra os bandidos e contra os animais que ameaçavam o seu rebanho. Além de serem desprezados pela vida rústica que levavam nas montanhas, eram tidos como impuros, ladrões, falsos. No tribunal o testemunho deles não tinha valor algum.  Os pastores da Palestina eram acostumados a reunir, durante a noite, suas ovelhas num único cercado. Pela manhã cada pastor se apresentava ao guarda, as ovelhas que tinham reconhecido os passos e a voz, logo se levantavam de um pulo, enquanto permaneciam deitadas as que pertenciam a outro rebanho".

"Em verdade eu vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante". Caríssimos no tempo de Jesus, haviam líderes políticos e religiosos, que embora do ponto de vista de alguns discursos e tarefas,  parecessem demonstrar preocupação pelo povo, na verdade buscavam unicamente seus próprios interesses. 

"Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas, a esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora". Como é encantador esse gesto do Pastor em relação às ovelhas. Uma relação de ternura, de amizade e carinho. As ovelhas não são mais um bando de gente, uma massa sofrida, machucada, jogada de um lado para outro, como fazem atualmente os falsos pastores nos currais públicos do nosso país, onde eles são os guardas. Ao contrário, o pastor conhece as ovelha, chama-as pelo nome, e as conduz para uma condição de vida melhor, a vida que faz a ovelha feliz. 

"Em verdade, em verdade eu vos digo, eu sou a porta das ovelhas". Nesse momento existem muitas portas e muitas ovelhas passando por elas. São elas: Os meios de Comunicação com seus programas, seus filmes, suas novelinhas; as rádios, algumas com programas que não levam ovelha nenhuma para fora, para o crescimento humano, cristão, mas levam para o sofrimento e para a dor; chefes políticos, e, porque, não dizer, também religiosos, que muitas vezes nos seus longos e preparados discursos ou não, prometem felicidade, prosperidade ao povo, mas na verdade, estão defendendo unicamente seus interesses, ou os do seu grupo.

Esses, como os chefes políticos e religiosos que vieram antes de Jesus, são eles que Jesus hoje os chama de ladrões e assaltantes.

Para encerrar, quero lembrar a todos, que no que tange à figura da ovelha e do pastor. Na vida comunitária, na vida religiosa, na vida profissional, na vida familiar, na vida em grupo, pastoral ou  movimento, em algum momento seremos ovelhas, que,  uma vez debandada do redil por alguma falta de juízo cometida, precisamos da misericórdia do pastor ou da pastora que estiver ao nosso lado. Mas em algum momento seremos pastores, pastoras, que uma vez encontrando uma ovelha debandada, ferida e machucada, também por alguma escolha mal feita, teremos que igualmente ser misericordiosos, misericordiosas para com ela. Ou seja, teremos que ser porta para ela, uma porta ao modo e ao jeito da porta que é Jesus.

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