segunda-feira, 12 de março de 2012

3º DOMINGO DA QUARESMA

"Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois: espalhou as moedas e derrubou a mesa dos cambistas". Jo 2,15.
Certa vez peregrinando pelas comunidades de Magalhães de Almeida, realizando aquela que já é tradicional, a visita que a Imagem de Nossa Senhora Mãe do Salvador faz a cada ano em toda a Paróquia, estendemos essa visita a uma parte bem pequena da Paróquia São Bernardo, a quatro ou cinco comunidades, chegamos em Pedrinhas. Alí alguém me questionou: porque vocês católicos fazem o que não é permitido pela Palavra de Deus? Fazem leilão na porta da Igreja - condenou. E imediatamente justificou seu quationamento, e  mostrou o nosso pecado citando o versículo acima. E eu prontamente, também perguntando, respondi. Você consegue alcançar o que estava acontecendo em Jerusalém naquele momento? Você consegue lembrar o que se dava a cada festa no que concerne ao fator econômico principalmente? Não eram perguntas para minha interlocutora responder, eram, sim, para eu continuar respondendo. Mas, continuei perguntando: Você sabia que por ocasião daquela festa, os preços dos animais e dos aluguéis eram infracionados? Os tributos eram elevados? Que a lei proibia a entrada de moedas extrangeiras, porque eram impuras, mas os sacerdotes e seus interesses espúrios as permitiram, quando adotaram a moeda tíria pagã, burlando o que eles mais "defendiam"? A lei? Você não acha que o ambiente era de exploração para com um povo que ia alí com um único desejo, encontrar-se com o seu Deus? Mas como encontrar o Pai num lugar onde os seus filhos estão sendo  explorados, enganados, pisados, e o pior em nome da religião? Ou melhor, de uma falsa religião. Voltando a perguntar: você concorda que podemos comparar as duas coisas? Este, agora, síntese da exploração, o Templo, e os leilões das nossas comunidades onde todos se apresentam para oferecer, partilhar, depois comprar, numa grande e bonita confraternização, porque os valores são à altura do seu poder de comprar e não agridem sua humildade e sua bondade? E não unicamente valor econômico, mas a comunhão de irmãos, o encontro com o outro, a outra, o sentido de está alí como Igreja, como comunidade, como irmãos? É um erro grosseiro tentar comparar as duas coisas, e ainda por cima condenar a outra parte, só porque ela age e faz diferente de mim.
Mas o pior não é isso, o pior é que há irmãos na própria igreja que ainda não entenderam esta parte e pensam iguais àquela moça, que me falta à memória, seu nome.
Agora entendemos porque Jesus, ele mesmo fez o chicote e saiu deitando sobre os vendedores e seus animais. Fez, porque viu o homem corrompido vendido, escravizado, pelos seus desejos, paixões e interesses. Mas viu também que este mesmo homem gostava de estar assim, estava acostumado com isso, e isso o agradava, o acalentava, o adormecia, o tornava "feliz". Portanto, só palavras não o faria despertar, acordar, se converter, mudar. Então, fez o chicote. Lembram daquela pasagem em que um senhor trás o seu filho que é atormentado por um espírito, ele pede aos dscípulos para curá-lo e eles não conseguem? O homem leva a Jesus que o cura. Quando chegam em casa e o fato é comentado entre Jesus e os discípulos, Jesus diz que esse tipo de espírito só se tira com jejum e oração. Pois é, há tipo de pecados, que só saem com muitas chicotadas, chicotadas que ultrapassam o exterior, a pele do nosso corpo e chegam ao coração, porque é lá que o pecado se enraíza, se aprofunda, se materializa, sujando, secando, matando, destruindo o templo de Deus que é você. Então fez o chicote, e fez também, porque o culto deles, de pombas, carneiros e bois, escondia ou buscava esconder seus mais nojentos desejos, o poder e o ter que é também uma forma de poder, através da exploração feita aos pobres que subiam a Jerusalém por ocasião da festa, e ainda, utilizando por baixo, a religião. Esse culto Jesus vomita, esse culto Jesus despreza. Vomita e despreza, porque não liberta. Não liberta, porque está desprovido de amor, e, por isso, explora a pessoa. O Templo, casa da libertação perdeu sua identidade e sua força. Então, chegou um novo Templo, Ele, Jesus, Seu corpo. Que não se importa em ser destruído, em ser arrastado, em ser incompreendido, importa, que liberta.



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