Caríssimos irmãos apesar de
estarmos em pleno Tempo Comum do Ano Litúrgico, neste domingo, o calendário
faz uma parada para reverenciar São João Batista e seu nascimento.
Aquele que um dia, Jesus, lhe dirigindo um rasgado elogio disse: "O que
fostes ver no deserto, um profeta? Ele é mais que um profeta. Na verdade digo:
Entre os nascidos de mulher, não veio ao mundo outro maior que João
Batista".
Meus irmãos, eu podia seguir
citando tantas e tantas qualidades deste santo que liga o Antigo e o Novo Testamento, seu profetismo, sua
coragem e sua luta para que o Reino que já estava a caminho pudesse ser
antecipado através da justiça e da fraternidade, valores por ele gritados no
deserto da Judéia. Mas meu desejo é assinalar alguns sentimentos desse evangelho.
"O seu nome é João. Todos ficaram admirados". Meus
irmãos o espanto, a admiração acompanham o homem tanto nas suas experiências
físicas, históricas, geográficas e científicas, quanto religiosas.
Nas experiências religiosas, o homem se espanta ao deparar-se com a realidade divina, Maria se espantou, Zacarias se espantou, Moisés se espantou. Esse espanto revela a consciência da nossa pequenez, da nossa limitude frente ao mistério e sua magnitude.
Nas experiências religiosas, o homem se espanta ao deparar-se com a realidade divina, Maria se espantou, Zacarias se espantou, Moisés se espantou. Esse espanto revela a consciência da nossa pequenez, da nossa limitude frente ao mistério e sua magnitude.
Espantar é um ato normal, é pelo espanto que medimos a
distância que estamos em nível de fé e de conhecimento acerca daquilo que está acontecendo à nossa frente, bem
perto de nós.
Quando Maria se espanta diante do Anjo, o mesmo que
encontrou Zacarias, ela mediu a distância que existia entre ela e as palavras
que lhe eram dirigidas. Mas como o ato, a cena, não nascia naquela cabana, mas
nascia sim, nas fontes divinas, Deus mesmo se encarregou de ligar tal mensagem
à destinatária presente, tranquilizando-a, bem como a sua consciência.
A grande pergunta que não cala é: O que é que nos espanta
neste momento? A Eucaristia nos espanta? O Evangelho nos espanta? O amor nos
espanta? A justiça nos espanta? O perdão nos espanta? A injustiça, a violência, a fome nos espantam? Se isso não ocorrer,
podemos acumular missas e missas, cantos, orações e tudo o mais, porém, João
Batista e sua mensagem estão indo para uma direção, e nós estamos indo para
outra.
O Senhor lhe tinha feito grandes benefícios e congratularam-se com ela.
O Senhor lhe tinha feito grandes benefícios e congratularam-se com ela.
É importante assinalar a situação de uma mulher estéril no
tempo de Isabel. Carregava a maldição, não era merecedora das bênçãos divinas.
Mas é importante salientar, que Isabel não está sozinha nessa cena. No fundo ela
é a síntese de todos os pobres de seu tempo, homens e mulheres, escravos,
viúvas, estrangeiros. São esses que agora se alegram, porque acabam de ver
cumprida a promessa que um dia Deus fizera aos profetas.
Essa promessa começa se cumprir na pessoa de João Batista.
Que agora ruma para o deserto, não o geográfico, mas o deserto dos nossos
corações, marcados por montes e vales, montes e vales que dificultam a chegada e a passagem do Reino.
Portanto, se quisermos facilitar a proximidade desse reino,
abaixemos nossos montes, aterremos nossos vales. Ou seja, comecemos a exercer a
mudança dentro de nós, para que a exigência que fazemos para fora e para o
mundo não tenha cheiro de hipocrisia, incoerência e falsidade.
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