Caríssimos irmãos, o Sábado
chegou ao fim. Esse dia que na velha ordem, na velha lei foi dia de repouso e
descanso, hoje foi um dia de tristeza, de sofrimento e de dor.
Ainda é possível contemplar
os olhos dos apóstolos e das mulheres, tristes e perdidos na imensidão do
infinito, tentando entender, tentando compreender, tentando conceber tudo o que
se deu com o seu Senhor e Mestre.
Parece que um bombardeio
caiu sobres eles, sobre suas cabeças e sobre as suas vidas, nesse sentido a
única coisa que resta é correr ao túmulo, para cumprir os últimos serviços
naturais àquele que morreu.
Isto mesmo, a comunidade na
pessoa das mulheres vai à busca de um morto, de um defunto, ou seja, a
comunidade ainda não conseguiu assimilar, não conseguiu fazer essa passagem. A realidade começa a mudar a partir do túmulo aberto e da pedra removida.
O túmulo significa fracasso,
desgraça, derrota. Se o túmulo permanecesse, era a morte que permanecia, era a
morte que vencia, era Deus que perdia.
Mas o dia já amanheceu, o
dia já raiou, amanheceu e raiou não no aspecto físico ou natural, mas amanheceu
nos aspectos espiritual, teológico, pascal. Ou seja, Deus venceu, o amor venceu
a paz venceu.
Mas uma vez Deus fez sua
parte, agora cabe a nós fazermos a nossa. Deus abriu o túmulo e removeu a pedra.
Agora somos nós que precisamos voltar para dentro de nós, para o nosso coração
às vezes fechado, endurecido, magoado, para vermos quais pedras precisam ser
tiradas, removidas, senão, quebradas.
Infelizmente neste momento da
história assistimos violência atrás de violência, desavenças familiares, filhos
que gritam com os seus pais, pais que não são bons exemplos para seus filhos.
Isto é, as trevas continuam insistentes em suas vidas, a noite não acabou.
A interrogação: O que este
acontecimento, a Ressurreição de Jesus pode mexer com a nossa vida? Ou será
apenas mais um rito, mais uma celebração? Que consequência social política,
religiosa, cultural este acontecimento nos trás? Ou vamos nos contentar com o
litúrgico e espiritual e pronto?
Do ponto de vista social nós
sabemos os tantos cristos que morrem todo dia, de fome, de sede, de doenças
porque não podem pagar a saúde seletiva e cara do nosso País. Ainda no aspecto
social, assinalamos o papel das mulheres na sociedade, aquelas que hoje se
juntam às que vão ao túmulo, Deus dando a elas o protagonismo de serem as
primeiras a receberem a notícia da ressurreição numa sociedade que dava pouca
chance às mulheres.
Ainda é desproporcional o
número pequeno de mulheres em relação ao de homens no que tange à ocupação nos cargos públicos. Não há alegria em saber que numa câmara de vereadores como as dos nossos
municípios que suportam de 09 a 13 membros, tenha apenas uma mulher, e às vezes nenhuma. E nesse caso é bom
lembrar, as mulheres precisam acreditar mais nelas.
Sobre o aspecto religioso, há pouca diferença, os leigos continuam fazendo o mínimo na Igreja, as mulheres são proibidas entre outras coisas de proclamarem o Evangelho na Eucaristia, os ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, mal ajudam o padre no altar, e há padres que ainda os impedem de misturarem a água no vinho, porque só ele é que pode fazer, o ministro não é digno.
É preciso também remover as pedras que existem em algumas mentes e corações, é preciso que alguns corações - túmulos se abram para uma proposta de Igreja mais simples, mais leve para o povo, para que o ambiente aqui não continue sendo de silêncio e de dor como o de ontem em Jerusalém, mas um ambiente de alegria e de paz, afinal, a pedra não está mais lá. Ou está?

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