"No primeiro dia da semana, Maria madalena foi ao túmulo de Jesus bem de madrugada, quando ainda estava escuro". Jo 20,1.
Meus irmãos, São João diz: Quando ainda estava escuro. Mas que escuridão é essa? Que noite e que trevas são essas? Seguramente essa escuridão diz respeito à nossa incapacidade de compreender, de ver, de amar, de perdoar, de aceitar.
Na cena de hoje a escuridão é aquela que cobre a mente, que cobre o coração, que escurece o nosso espírito nos deixando sem condição de compreender tudo o que aconteceu com Jesus nas últimas horas, principalmente sua ressurreição.
Meus irmãos sair da noite é um caminho que deve ser iniciado por todos nós. Sair da noite é sair da falta de fé, do ódio, do ressentimento, dos vícios, é sair da dificuldade de compreender o irmão que convive, mora, trabalha conosco. Sair da noite é fazer uma caminhada lenta e demorada na direção da conversão, do perdão e do amor.
Para que isto aconteça é preciso ir cedo, de madrugada, à procura do Senhor. Não acordamos cedo para tanta coisa? Trabalhos, futebol, academia, caminhada, saúde?
Então, se quisermos avançar no processo de conversão, teremos que nos juntar à Maria Madalena e irmos com ela à procura do Senhor, mesmo na escuridão das nossas misérias e fracassos, mesmo errando aqui, e acertando ali.
Como disse antes, é uma longa estrada. Conversão leva anos, às vezes precisamos sofrer, precisamos cair mais de uma vez não de um cavalo, mas de um edifício, para a gente acordar, criar coragem, se levantar e voltar para a vida.
Meus irmãos se a gente fizer o caminho, se aceitarmos o desafio de enfrentar as trevas do nosso pecado e da nossa indiferença, do nosso ódio e do nosso rancor, veremos como aos poucos o sol da ressurreição despontará no horizonte do nosso corpo e do nosso espírito.
Ontem no último parágrafo da minha homilia da Vigília Pascal eu deixei uma dúvida sobre a possibilidade de a pedra ter sido ou não removida do túmulo.
Todos sabem de que perda e de que túmulo eu estava falando, todos sabem que precisamos sim, é necessária sim a remoção dessa pedra, mas não daquela matéria dura, às vezes impenetrável, encontrada no solo, mas dos ressentimentos e das mágoas que petrificam o coração, deixam-no duro e incapaz de perceber que o túmulo está de fato vazio.

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