"Dias depois o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra longínqua e lá dissipou todos os seus bens vivendo dissolutamente" Lucas 15,13
Meus irmãos o Evangelho deste domingo apresenta esta magnífica parábola, nos questionando sobre qual desses filhos se parecem conosco, qual deles tem o nosso aspecto.
Meus irmãos o Evangelho deste domingo apresenta esta magnífica parábola, nos questionando sobre qual desses filhos se parecem conosco, qual deles tem o nosso aspecto.
A parábola ilustra muito bem o que é o pecado e até onde ele pode levar a pessoa que se deixou conduzir e contaminar por ele. O pecado empolga, o pecado seduz, o pecado encanta, para depois humilhar e até matar quem se deixou levar.
Não devia ser assim, mas é só depois de muita dor e sofrimento que a gente se levanta, que diz como o personagem de hoje: "vou me levantar, vou voltar para meu pai e dizer: Pai, pequei contra o céu e contra Ti..." Um retorno que começa pela consciência da decisão tomada errada, essa consciência desemboca num repúdio à ofensa cometida contra a casa do Pai, contra o amor do Pai, contra a vida do Pai.
Uma vez lendo o livro "A Volta do Filho Pródigo", de Rembrandt, era feita essa reflexão: "A ofensa começou com a partida, partir é desejar a morte do Pai. O filho indo embora é, portanto, um fato muito mais grave do que parece à primeira vista. É uma rejeição cruel ao lar no qual o filho nasceu e foi criado. Quando Lucas escreve, partiu para uma região longínqua, continua o autor, ele se refere não ao desejo de um jovem de ver o mundo, mas sim a uma quebra drástica da maneira de viver, pensar e agir que recebeu no seio da família e na comunidade. O país distante é o mundo no qual não se respeita o que em casa é considerado sagrado. Deixar a casa é, portanto, mas do que um acontecimento histórico limitado ao tempo e lugar, é negar a realidade espiritual de que pertenço a Deus com todo o meu ser, é negar que Deus me ampara num eterno abraço, que sou moldado nas palmas das mãos de Deus e escondido nas suas sombras".
Iniciei essa homilia ressaltando através da parábola com qual dos filhos a gente se parecia. E eu gostaria que a gente parecesse com os dois por um momento. Parecesse com o filho mais velho pela sua lealdade, pela maneira correta com que ele cumpre os mandamentos da lei. "Eu nunca desobedeci qualquer ordem tua...". Sim, eu estou dizendo para sermos fariseus naquilo que se refere ao cumprimento das responsabilidades. Todos sabemos como somos relaxados nos cumprimentos dos nosso deveres, por nada deixamos de ir a uma missa ou a um encontro da Paróquia, aulas na faculdade, nossa casa, nossos serviços, ou seja, damos para Cristo a sobra, o resto. Depois que satisfazemos nossos interesses é que damos um pouco para Cristo. Então, ser fariseu aqui, é ser naquilo que é feito sem reservas para Deus e para a Igreja. A diferença para com o fariseu, seria, depois de toda a lei, toda a obrigação, todo o dever cumprido, acolher e amar o irmão que ainda não alcançou essa virtude.
Ser também o filho mais novo, enquanto me falta forças para dizer não ao pecado e a tudo o que me distancia da casa e do coração do Pai. Raiva, ressentimento, luxúria, ciúme, desejo de vingança e rivalidades são sinais de que eu saí da casa do Pai. Mas sempre com o desejo de voltar, de retornar e fazer de novo a confissão...
As lavagens continuam existindo aos montes e por todo canto, patrões para oferecer, não para negar como o da parábola, tem aos montes. Moças e rapazes, homens e mulheres prontos para comerem, como tem.
Oxalá nossos jovens, tenham força e se levantem, e toda a sua fome seja saciada não pelas comidas fáceis encontradas nas esquina, nos becos escuros e nos bares, mas pelo pão do céu oferecido em cada Eucaristia.

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