Caríssimos
irmãos, comecemos esta noite dando um abraço forte no irmão que está ao nosso
lado e desejando-o Feliz Páscoa!!
Conforme
relatos litúrgicos, chegamos à noite mais esperada de todo o ano. A mãe de
todas as noites. A noite em que o pecado, o mal, o ódio e até a própria morte
foram vencidos.
Como
vimos o sábado chegou ao fim. Esse dia que no Antigo Testamento, na antiga lei,
foi dia de descanso e repouso, hoje para nós, foi dia de angústia, dor, medo e
desesperança.
Desesperança, porque a comunidade ainda não acreditou,
ainda não aceitou, ainda não assimilou a morte de Cristo, não como uma derrota,
um fracasso, mas como uma vitória.
O dia já amanheceu, o dia já raiou, o galo já cantou, mas
para aqueles corações sem fé, tudo ainda era noite, tudo ainda era trevas, tudo
ainda era dúvidas e escuridões.
Meus irmãos ainda hoje, encontramos muitas pessoas, que
infelizmente não conseguem amanhecer, suas vidas são noites sem fim. Situações
trazidas do seu passado e insistentes no seu presente as fazem tristes, amargas,
ofensivas. Ou seja, não saíram ainda do túmulo, sua pedra não foi ainda movida,
não foi tirada.
Meus irmãos como o povo que hoje saiu do Egito, nós
também devemos sair. O Papa Francisco fala de uma Igreja em saída. Fala de uma
Igreja enlameada, fala de uma Igreja acidentada. Os grupos têm que sair, os
ministros têm que sair, as pastorais tem que sair, a comunidade inteira tem que
sair, o padre tem que sair.
Neste um ano de experiência pastoral aqui em água Doce,
não têm sido pouco os encontros, cursos, assembleias, que temos propostos e
realizados. No entanto, percebemos, como a participação dos irmãos
principalmente da sede tem deixado a desejar, tem sido fraca. E o que considero
mais preocupante, irmãos que estão nos grupos, pastorais e movimentos.
Eu tenho me sentido satisfeito com o número de
participantes em todos eles, mas a grande força vem das comunidades do
interior. Com isso, não quero apontar o dedo para rumo, direção e ninguém. Mas
quero sim enfatizar, que não dá mais pra sermos uma Igreja que se contenta
horas e horas fazendo leituras e rezando terços, ou outras formas de oração, e
até a própria missa, enquanto lá fora, nas praças, nos bairros, nas ruas,
existe um mundo de jovens, crianças, idosos à nossa espera. Jovens, crianças,
idosos que não lhe faltam, só oração, mas falta também pão, casa, saúde,
educação, falta vida, uma palavra amiga.
No evangelho, um anjo abriu o sepulcro. Hoje, agora,
somos nós, que temos que abrir os sepulcros, somos nós que temos que remover
todas as formas de pedras impostas pelo sistema econômico, que deixa à margem
das políticas sociais, crianças, jovens e velhos, e os obriga a sair de suas
casas, arriscando-se às constantes formas de escravidões nos serviços humilhantes
a que são submetidos nas grandes cidades.
Somos nós que como cristãos, precisamos também ser
humanos, precisamos ser sensíveis, precisamos sentir a dor do outro, precisamos
como diz o Papa Francisco, voltar a aprender a chorar. Mas, esse chorar, mas que sentimentos e
lágrimas, é propor aos nossos governantes, políticas de inclusão social,
políticas para a juventude, para os idosos, para os negros, os índios, de modo
que não seja preciso que se morra para um dia se celebrar a Páscoa do Senhor, mas que ela
comece já, na promoção de vida plena para todos, e a morte seja apenas seu desdobramento e sua expansão.
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