quinta-feira, 17 de abril de 2014

HOMILIA I DOMINGO DE PÁSCOA

CRISTO RESSUSCITOU! ALELUIA!

           Como é difícil compreender esse mistério, como é difícil penetrar neste acontecimento. Como é difícil conceber que alguém, como num encanto sucumbe, desaparece, some, se esconde, mas depois, num outro momento surge das cinzas, surge do nada, contradizendo a ciência, a lógica e a própria razão.

Uma vez alguém se referindo à ressurreição, escreveu, “há fatos, que quando não compreendemos, aceitar é a melhor coisa que fazemos”.

Sobre o Evangelho lido, sublinhemos alguns trechos:

 
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus... Não se sabe tudo o que se passava na cabeça de Maria de Magdala, mas dá pra intuir, que aquela mulher, naquela noite, era a personificação de todas as mulheres e de todos os homens, que diante dos últimos acontecimentos em Jerusalém nas últimas horas, tudo era como um turbilhão, uma reviravolta,  que quanto mais os envolvia e os arrastava, menos entendiam o que se dava com seu mestre, naquela tarde, naquele dia.

Viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo... O texto não escreve as linhas que poderiam explicar melhor o movimento sofrido pela pedra. O registrado é que ela tinha sido retirada do túmulo. A pedra retirada do túmulo significa a intervenção de Deus, que abre, que escancara o sepulcro, os nossos sepulcros, os sepulcros que hoje, são abertos pelo ódio, pela inveja, fome, violência, ganância, corrupção e miséria. E que muitas vezes nos deixam desanimados, parados, dominados, como se a morte tenha mesmo a palavra absoluta e final.

Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo que Jesus amava... Esse versículo nos obriga a fazer alguma referência à pessoa da mulher. No tempo de Jesus a mulher fazia parte de uma categoria inferior na escala social. Ela estava no mesmo nível das crianças, escravos, pastores, pessoas sem confiança e sem idoneidade. Disse anteriormente da intervenção de Deus na retirada da pedra do sepulcro. Mas o machismo, a discriminação e o preconceito para com a mulher, era um sepulcro social dos mais fétidos, dos mais nojentos. Fazer da mulher a primeira anunciadora e testemunha da ressurreição, é um modo de como Nosso Senhor joga por terra tudo isso, pois agora, não só retira, mas quebra esta pedra, e inaugura um novo tempo, um tempo de civilização, de solidariedade, de amor e de paz.

Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro...  Como vimos o outro discípulo não tem nome. “É opinião geral que se trata do Evangelista João. Esta identificação, porém aconteceu muito mais tarde, cem anos após a morte do apóstolo. Pode ser que fosse ele o discípulo que Jesus amava. Contudo, a personagem tem um significado simbólico”. Fernando Armellini.

No que se refere à cena que acabamos de assistir, mais uma vez Pedro é quem percebe depois, é quem toma atitude depois, é quem chega atrasado, é quem acredita por último. Também na comunidade e na sociedade não é diferente. Diante das situações de morte, são poucos os que logo percebem e reagem. Quantos na comunidade chegam bem depois, atrasados, quando tudo já está praticamente resolvido. Quantos desanimam, desistem, vão embora, porque não tiveram coragem senão de quebrar, pelo menos empurrar a pedra, que muitas vezes não está fora, mas dentro de cada um, e atrapalhando a vida em comunidade e em sociedade.

Sobre o discípulo amado, dito como uma personagem simbólica pode ser você, você que não fica só reclamando, achando que não tem mais jeito. Mas ao contrário olha para o horizonte e consegue enxergar um leque, mas que um leque, um mundo de possibilidades esperando por alguém que não fica parado, desanimado, mas que acredita que corre que luta. E num mundo que cada dia mais parece se conformar com a possibilidade da morte, e até lucra com ela, você se oferece como instrumento de ressurreição e de vida.

 

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