
CRISTO RESSUSCITOU! ALELUIA!
Como é difícil
compreender esse mistério, como é difícil penetrar neste acontecimento. Como é
difícil conceber que alguém, como num encanto sucumbe, desaparece, some, se
esconde, mas depois, num outro momento surge das cinzas, surge do nada,
contradizendo a ciência, a lógica e a própria razão.
Uma vez
alguém se referindo à ressurreição, escreveu, “há fatos, que quando não compreendemos, aceitar é a melhor coisa que
fazemos”.
Sobre o Evangelho lido, sublinhemos alguns trechos:
No primeiro dia da semana, Maria Madalena
foi ao túmulo de Jesus... Não se sabe tudo o que se passava na cabeça
de Maria de Magdala, mas dá pra intuir, que aquela mulher, naquela noite, era a
personificação de todas as mulheres e de todos os homens, que diante dos
últimos acontecimentos em Jerusalém nas últimas horas, tudo era como um turbilhão,
uma reviravolta, que quanto mais os
envolvia e os arrastava, menos entendiam o que se dava com seu mestre, naquela
tarde, naquele dia.
Viu que a pedra tinha sido retirada do
túmulo... O texto não escreve as linhas que poderiam explicar melhor o movimento
sofrido pela pedra. O registrado é que ela tinha sido retirada do túmulo. A
pedra retirada do túmulo significa a intervenção de Deus, que abre, que
escancara o sepulcro, os nossos sepulcros, os sepulcros que hoje, são abertos
pelo ódio, pela inveja, fome, violência, ganância, corrupção e miséria. E que
muitas vezes nos deixam desanimados, parados, dominados, como se a morte tenha
mesmo a palavra absoluta e final.
Então ela saiu correndo e foi encontrar
Simão Pedro e o outro discípulo que Jesus amava... Esse
versículo nos obriga a fazer alguma referência à pessoa da mulher. No tempo de
Jesus a mulher fazia parte de uma categoria inferior na escala social. Ela
estava no mesmo nível das crianças, escravos, pastores, pessoas sem confiança e
sem idoneidade. Disse anteriormente da intervenção de Deus na retirada da pedra
do sepulcro. Mas o machismo, a discriminação e o preconceito para com a mulher,
era um sepulcro social dos mais fétidos, dos mais nojentos. Fazer da mulher a
primeira anunciadora e testemunha da ressurreição, é um modo de como Nosso
Senhor joga por terra tudo isso, pois agora, não só retira, mas quebra esta
pedra, e inaugura um novo tempo, um tempo de civilização, de solidariedade, de
amor e de paz.
Os dois corriam juntos, mas o outro
discípulo correu mais depressa que Pedro... Como vimos o outro discípulo não tem nome. “É opinião geral que se trata do
Evangelista João. Esta identificação, porém aconteceu muito mais tarde, cem
anos após a morte do apóstolo. Pode ser que fosse ele o discípulo que Jesus
amava. Contudo, a personagem tem um significado simbólico”. Fernando
Armellini.
No que
se refere à cena que acabamos de assistir, mais uma vez Pedro é quem percebe
depois, é quem toma atitude depois, é quem chega atrasado, é quem acredita por
último. Também na comunidade e na sociedade não é diferente. Diante das
situações de morte, são poucos os que logo percebem e reagem. Quantos na
comunidade chegam bem depois, atrasados, quando tudo já está praticamente
resolvido. Quantos desanimam, desistem, vão embora, porque não tiveram coragem
senão de quebrar, pelo menos empurrar a pedra, que muitas vezes não está fora,
mas dentro de cada um, e atrapalhando a vida em comunidade e em sociedade.
Sobre o
discípulo amado, dito como uma personagem simbólica pode ser você, você que não
fica só reclamando, achando que não tem mais jeito. Mas ao
contrário olha para o horizonte e consegue enxergar um leque, mas que um leque,
um mundo de possibilidades esperando por alguém que não fica parado,
desanimado, mas que acredita que corre que luta. E num mundo que cada dia mais parece
se conformar com a possibilidade da morte, e até lucra com ela, você se oferece
como instrumento de ressurreição e de vida.
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