quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

QUARESMA TEMPO DE GRAÇA E SALVAÇÃO

"Agora, diz o Senhor, rasgai os vossos corações e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benígno, é compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo". Jl 2,12a-13.
Estamos iniciando o tempo da Quaresma. Um tempo simbólico de quarenta dias, onde somos convidados à santidade, através de uma vida de conversão profunda. Teórica é que não pode ser essa conversão, muito menos um sentimento, ou uma emoção. Mas é algo que deve se materializar, se humanizar,  nos atos e nos hábitos das pessoas. E os elementos propostos pela Igreja, para se apalpar essa conversão e consequente santidade é a oração, o jejum e a esmola. A oração é aquela em que eu me volto para dentro de mim. Como um gastro que penetra com sua camêra o interior humano, e, com a mesma abre todas as abas desse interior, para diagnosticar inflamações ou outras mazelas que por ventura possam ali existir. Deus, através do seu Espírito que é Santo abre igualmente as abas e as dobras do nosso coração para arrancar as doenças, as feridas, as inflamações causadas pelo nosso pecado. A caridade nos faz pensar nos milhões de pessoas que não comem, não dormem, não tem saúde, nem direito, nem trabalho, nem moradia, nem alegria. Realizar este gesto é comungar com suas dores e seus sofrimentos. Nesta hora Cristo renova seu Calvário no calvário delas, grita, no grito delas, chora, nas lágrimas delas. O jejum é um sacrifício que faço para pensar no sacrifício de Cristo, na sua dor, no seu getsêmani, na sua agonia e não deixá-lo sozinho, abandonado e largado de novo naquela cruz.
Rasgai vossos corações e não as vestes. Chega de culto de aparência, chega de culto exterior. Para Jesus mais que o culto, vale a dignidade, a justiça, o direito, a saúde e a vida do irmão. Mas é preciso deixar-se queimar, é preciso deixar-se derreter, é preciso deixar-se consumir, para ressurgir num amanhecer infinito. Por isso, que é com jejum e com lágrimas. Sobre o jejum, algo já mensionamos. Quanto às lágrimas, quem resistirá? Elas são o último gesto na escala de como clamar a Deus depois da fala e do grito. Ouvi, Senhor, a minha oração, escutai os meus clamores, não fiqueis insensível às minhas lágrimas". Sl 38,13a (Bíblia Sagrada Ave Maria). Diziam os rabinos: "Não há porta que as lágrimas não consigam abrir". Fernando Armellini (Celebrando a Palavra).
A quaresma é um caminho que se faz com os corações rasgados. Um coração rasgado é um coração que se permitiu ao sofrimento, à lágrima e à dor. Dispensou as blindagens e as proteções do egoísmo e do prazer, para se abrir ao amor.


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