“Coragem, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é
a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. Is. 35,4.
“Abatidos e desanimados o povo lembra seus parentes, massacrados pelos
soldados caldeus, de suas casas e de suas lavouras em chamas, de sua terra que
ficou deserta e se transformou num reduto de chacais, e se perguntam se um povo
golpeado por tantas desgraças ainda poderá manter a esperança de recuperar-se
desta destruição”. Fernando Armellini.
Abatidos e desanimados: Meus
irmãos em alguns momentos da nossa vida nós nos envolvemos ou somos envolvidos
em situações tristes, difíceis, duras que parecem não ter mais jeito, mais
solução, e o pior, encontramos o caminho de entrar, fácil, sedutor, prazeroso,
mas não encontramos o caminho de saída, de volta, de retorno.
Como o povo de Israel exilado na
Babilônia, estamos cegos, surdos, coxos, sem forças, sem fé, sem ânimo, sem
esperança, parece que o mundo se fechou, caiu, desabou sobre nós.
Quantas pessoas hoje, nesta hora,
estão vivendo essas tempestades, esses desertos, essas noites traiçoeiras
intermináveis, umas nas cadeias, outras nos hospitais, outras em casa mesmo
oprimidas por algum problema de ordem física, afetiva, psicológica ou
emocional.
Nestas horas é preciso que chegue
alguém, é preciso que apareçam alguns Isaías, algumas Isaías, Isaías que
cheguem e gritem: Coaragem, força, não tenha medo, o mundo não acabou para
você, levante desse leito, dessa cama, levante desse sofrer, você é maior, você
é forte, encontre o rumo de volta da sua vida, da sua casa, da sua família, da
sua felicidade, da sua paz.
“Trouxeram-lhe então um homem que falava com dificuldade, e pediram que
Jesus lhe impusesse a mão”. Mc. 7,32.
Podemos dizer que o Evangelho
estende o que acabamos de refletir na primeira leitura. Trata-se de um homem
surdo. O surdo no Evangelho é aquela pessoa que está impossibilitada de se
relacionar com as outras, porque não ouve, não ouvindo, não recebe, não
recebendo, também não transmite.
Mas também não é só isso, muitos
naquele tempo eram impedidos de ouvir, porque não tinham permissão, ou seja,
eram barrados dos lugares de culto, das sinagogas, das reuniões. O surdo faz
parte da categoria dos pobres, dos estrangeiros, dos abandonados pela sociedade
da época, que discrimina e faz diferença.
Mas há também os surdos
espirituais, e entendendo que aquele homem se deixou conduzir até Jesus,
sinaliza que ele pode ser surdo dos ouvidos, mas ouve muito bem com a mente e o
coração. Em contraposição aos fariseus que ouviam fisicamente bem, mas eram
surdos à misericórdia e ao perdão. E, Jesus, uma vez o acolhendo, joga uma
ducha de água fria naquela mentalidade, e inaugura uma nova forma de
relacionamento social e religiosa.
Meus irmãos é preciso que detectemos
qual a nossa surdez, qual a nossa mudez, qual a nossa doença, qual a nossa
ferida, qual o nosso problema, o que de fato neste momento nos oprime, nos
machuca, nos maltrata. E fazendo como o surdo do Evangelho, deixemos para trás
nossas teimosias, orgulhos, preguiças, medos. E se não der para irmos sozinhos
ao encontro do Mestre, peçamos o auxílio de alguém, alguém que já conhece
Jesus, alguém que já foi tocado por ele, para que ele toque você, cure você, liberte
você, e você igualmente experimente o seu poder salvador. Ou seja, o remédio, é
se levantar, é não se entregar, é acreditar, e o resto, bem, o resto, Jesus
fará.

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