quinta-feira, 6 de setembro de 2012

HOMILIA XXIII DOMINGO COMUM


 “Coragem, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar”. Is. 35,4.
“Abatidos e desanimados o povo lembra seus parentes, massacrados pelos soldados caldeus, de suas casas e de suas lavouras em chamas, de sua terra que ficou deserta e se transformou num reduto de chacais, e se perguntam se um povo golpeado por tantas desgraças ainda poderá manter a esperança de recuperar-se desta destruição”. Fernando Armellini.
Abatidos e desanimados: Meus irmãos em alguns momentos da nossa vida nós nos envolvemos ou somos envolvidos em situações tristes, difíceis, duras que parecem não ter mais jeito, mais solução, e o pior, encontramos o caminho de entrar, fácil, sedutor, prazeroso, mas não encontramos o caminho de saída, de volta, de retorno.
Como o povo de Israel exilado na Babilônia, estamos cegos, surdos, coxos, sem forças, sem fé, sem ânimo, sem esperança, parece que o mundo se fechou, caiu, desabou sobre nós.
Quantas pessoas hoje, nesta hora, estão vivendo essas tempestades, esses desertos, essas noites traiçoeiras intermináveis, umas nas cadeias, outras nos hospitais, outras em casa mesmo oprimidas por algum problema de ordem física, afetiva, psicológica ou emocional.
Nestas horas é preciso que chegue alguém, é preciso que apareçam alguns Isaías, algumas Isaías, Isaías que cheguem e gritem: Coaragem, força, não tenha medo, o mundo não acabou para você, levante desse leito, dessa cama, levante desse sofrer, você é maior, você é forte, encontre o rumo de volta da sua vida, da sua casa, da sua família, da sua felicidade, da sua paz.
“Trouxeram-lhe então um homem que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão”. Mc. 7,32.
Podemos dizer que o Evangelho estende o que acabamos de refletir na primeira leitura. Trata-se de um homem surdo. O surdo no Evangelho é aquela pessoa que está impossibilitada de se relacionar com as outras, porque não ouve, não ouvindo, não recebe, não recebendo, também não transmite.
Mas também não é só isso, muitos naquele tempo eram impedidos de ouvir, porque não tinham permissão, ou seja, eram barrados dos lugares de culto, das sinagogas, das reuniões. O surdo faz parte da categoria dos pobres, dos estrangeiros, dos abandonados pela sociedade da época, que discrimina e faz diferença.
Mas há também os surdos espirituais, e entendendo que aquele homem se deixou conduzir até Jesus, sinaliza que ele pode ser surdo dos ouvidos, mas ouve muito bem com a mente e o coração. Em contraposição aos fariseus que ouviam fisicamente bem, mas eram surdos à misericórdia e ao perdão. E, Jesus, uma vez o acolhendo, joga uma ducha de água fria naquela mentalidade, e inaugura uma nova forma de relacionamento social e religiosa.
Meus irmãos é preciso que detectemos qual a nossa surdez, qual a nossa mudez, qual a nossa doença, qual a nossa ferida, qual o nosso problema, o que de fato neste momento nos oprime, nos machuca, nos maltrata. E fazendo como o surdo do Evangelho, deixemos para trás nossas teimosias, orgulhos, preguiças, medos. E se não der para irmos sozinhos ao encontro do Mestre, peçamos o auxílio de alguém, alguém que já conhece Jesus, alguém que já foi tocado por ele, para que ele toque você, cure você, liberte você, e você igualmente experimente o seu poder salvador. Ou seja, o remédio, é se levantar, é não se entregar, é acreditar, e o resto, bem, o resto, Jesus fará.

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