CESAREIA DE FELIPE
"Quem dizem os homens que eu sou?" Mc 8,27
Caríssimos irmãos, muitas vezes as homilias que fazemos têm servido para criticas ao comportamento dos fariseus no que diz respeito ao seu modo de expressar sua fé, viver sua religião e a dificuldade desse grupo em aceitar Jesus, bem com suas propostas em relação à chegada do reino de Deus.
Sobre isso se impõe alguns fatores: "O povo de Israel se fechou às propostas de Jesus, Jesus por sua vez abandonou Israel. Para Ele e para os que vivem no mundo, resta apenas o caminho da Cruz". Comentário do Missal dominical. E esse caminho começa a se fazer quando nos debruçamos por sobre a pergunta: Quem dizem os homens que eu sou?
Responder a essa pergunta, só será possivel depois de uma indagação ao noso espírito, depois de nos sentirmos intrigados interiormente e depois de nos sentirmos desafiados a romper com os nossos vícios, comodismos e paixões.
A revolução causada por esse conjunto de fatores, possibilitará nos perguntar sobre qual o lugar que Cristo ocupa dentro de mim, qual o lugar que Cristo ocupa na minha vida e qual o lugar que ele ocupa no meu existir.
Acontece que nem sempre é fácil responder à pergunta acima, exatamente, porque somos pouco diferentes dos fariseus. Poucos diferentes, porque queremos respondê-la conforme a nossa lógica, nossa mentalidade as vezes mesquinha, nossos interesses e intenções nem sempre retos.
E da mesma forma como Jesus levou tempo para purificar a fé e a compreenção dos apóstolos a seu respeito, uma vez que também tinham fé e compreenção equivocadas, essa mesma luta Ele continua a ter conosco.
É muito fácil se aceitar o Cristo que causa emoção, o Cristo que faz a gente chorar, aquele que faz milagres e curas. Difícil é aceitar o Cristo da Cruz, o derrotado, o humilhado, aquele que não transmitie força e poder nenhum.
Agora se compreende porque os apóstolos são avisados de não contarem nada, de não falarem nada acerca dele, porque eles também precisam rever, repensar a noção, o pensamento, a idéia que têm acerca de Jesus.
Entendendo que um Cristo doce e morno não liberta
e não salva ninguém, e entendendo que o Cristo que salva e liberta é o que não
hesita em se misturar com os pobres e pecadores desta terra, Aquele que disse:
Vim trazer fogo sobre a terra, o fogo libertador da sua paixão. Busquemos
testemunhar este Cristo, aproveitemos deste fogo para queimar todos os males: social, físico, psíquico, espiritual, que colocam em
perigo a vida dos nossos irmãos; e dessa forma sinalisarmos, que mudamos a noção acerca da pessoa de Jesus e seu messianismo.
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