sábado, 29 de setembro de 2012

HOMILIA XXV DOMINGO COMUM

 Caríssimos irmãos, essas palavras de Jesus foram ditas em Cafarnaum depois que Ele anunciara pela segunda vez sua Paixão e da dificuldade dos Apóstolos em compreender tais palavras, como bem assinalou Marcos no Evangelho de hoje.
De onde emanava tal dificuldade?
Na verdade havia um entendimento histórico de que o Filho de Deus não morreria e que venceria todos os seus inimigos. É isso que os apóstolos guardam consigo e encontram dificuldade para conceber algo ao contrário. Encontram dificuldade para aceitar que o Filho de Deus pode ser esbofeteado, insultado, derrotado, quanto mais morto.
Eis porque na homilia de domingo passado eu coloquei que Jesus levou um tempo para purificar a fé dos discípulos, uma vez que a noção que eles tinham em relação à sua pessoa e ao seu messianismo estava equivocada, a noção estava errada. Purificação essa que não se deu da noite para o dia,  como podemos registrar na cena desta noite.
Depois de anunciar que os homens o entregariam, o matariam e depois ele ressucitaria, ou seja, depois de dizer claramente que ia realizar um serviço total, entregando a própria vida, lá atrás os discípulos estão discutindo sobre quem será o primeiro no reino temporal de Jerusalém.
Meus irmãos já repeti várias vezes nas minhas homilas da força religiosa atualmente manifesta, mas também da visível fraqueza cristã ora também manifesta. Ou seja, eu tenho dito como as pessoas fazem grandes sacrifícios religiosos, romarias a santuários, dias e noites de preces e orações, mas quando é para compreender o servo sofredor, o servo derrotado, o servo humilhado, seu fervor desaparece.
Ou seja, quando na comunidade o sofredor, o humilhado, o derrotado sou eu, humilhação e derrota que não deveriam me abater nem me desanimar, aí o fervor desaparece.
Parece que nós queremos uma Igreja só de justos e santos, parece que nós queremos uma Igreja só de justos e retos. Esquecemos que no campo vão sempre está juntos o joio e o trigo, o ímpio e o justo, o puro e o impuro.
Os discípulos se abateram, desanimaram, até fugiram. Nós também muitas vezes não suportamos as contradições e contrariedades no seio da comunidade,  não suportamos os espinhos lançados por irmãos próximos de nós, e  aí igualmente desanimamos, nos abatemos, fugimos.
Não é fácil ser o último, o menor na comunidade,  a comunidade é uma espécie de forno onde está o fogo que prova o ouro frágil que somos. É o forno que prova a nossa capacidade de servir e amar, servir e amar principalmente os que nos apunhalam, os que tramam contra nós, como tramaram e apulhalaram Jesus.

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