"O povo que andava nas trevas viu uma
grande luz, para os que habitavam na sombra da morte, uma luz
resplandeceu". Is. 9,1.
“O
texto que nos é apresentado faz parte dos oráculos atribuídos ao Profeta Isaias,
não se tem certeza que seja de Isaías, ou um texto posterior à sua época,
enxertado pelos editores finais da obra na mensagem de Isaías. Se for de Isaías
pode ser da fase final do profeta, lá pelo século VII antes de Cristo. Por essa
altura o Rei Ezequias, ignorando os avisos de Isaías, continua jogando
politicamente contra os assírios, enviando embaixadas à Fenícia, à Babilônia e
ao Egito, a fim de consolidar uma frente contra a Síria. O profeta, desiludido
com essas iniciativas, começa a sonhar com um tempo novo e de paz onde reinam o
direito e a justiça. Seja como for, o texto dá fôlego às esperanças messiânicas
e alimenta as esperanças de um Israel melhor, com um futuro de paz e
felicidades”. Um texto tirado da pagina dos Padres Dehonianos.
Caríssimos
irmãos, depois de quatro semanas de expectativas e de espera, chegamos à
grande noite, muitos sentimentos marcaram essa caminhada ate aqui, porque não
foi uma caminhada apenas de quatro semanas, é a caminhada de anos de espera,
anos marcados por opressão, fome, escravidão, injustiça, exílio após exílio,
desilusão, perda da terra e perda da própria vida. Tudo isso junto e pelo tempo
que se estendeu, com a intensidade e a dimensão com que se deu, trouxe
incerteza, desesperança, impotência, sentimento de abandono por parte de Deus,
trouxe dor, sofrimento.
Até
que numa noite, tudo se irrompeu. Todos aqueles anos de angústia, que pareciam
uma noite sem fim, chegaram ao seu cabo, pois uma luz brilhou nas trevas, e
para os que caminhavam na sombra da morte uma luz resplandeceu. E mesmo que o
lamento de Isaías ainda tenha força em alguns cantos desse planeta, porque nem
tudo se renovou, estamos vivendo um momento novo, um tempo de certeza, de
alegria e de paz.
É
isto, é isto que queremos expressar neste natal. Nós sabemos que do ponto de
vista dos problemas sociais, políticos, econômicos, a questão da fome, da
violência e do desemprego muita coisa melhorou, mas muita coisa ainda precisa
mudar, mas já se fala tanto nestas coisas, nestes fardos ao longo de todo o
ano. Agora se podemos dá outro tom, outro brilho e outra cor às palavras proferidas
nesta noite, por que não fazemos?
O
dia é lindo demais, é maravilhoso demais, é magnífico demais para ficarmos
recordando as desgraças, os fracassos e as derrotas do passado, ou seja,
trocando as luzes e as estrelas que brilham nesta noite, pelas nuvens escuras
que acompanham e continuarão a acompanhar o nosso existir.
Não,
o que nós queremos hoje é mergulhar na alegria deste natal, nos envolver com as
luzes que como em cascatas caem daí, nós queremos ver o menino Jesus sorrindo
na nossa direção, dando a entender que no presépio, a frieza daquela madrugada
não tinha força, nem espaço para penetrar o seu coração, porque ele já era cheio de luz, de paz e de muito amor.
Nesse
sentido, como diz a canção, natal é tempo de rever, rever a nossa vida, rever
os nossos atos, rever as nossas decisões, rever as nossas intenções, rever os
nossos corações.
Rever
essa vidinha que estamos levando, às vezes sem responsabilidade, sem
compromisso e sem verdade. Rever os nossos atos às vezes imaturos,
inconsequentes prejudiciais à nossa vida e à nossa santidade, rever esse
coração machucado e ferido, angustiado e ressentido, que prefere se queixar,
lamuriar e chorar, ao invés de se levantar e pôr-se a caminho, à maneira dos magos,
mesmo que para isso tenha que sofrer por alguns momentos trevas e escuridões
uma vez que nem sempre a estrela está presente para clarear.
E
então, está disposto a abrir os braços neste natal, está disposto a dar passos
neste natal, está disposto a curar o seu coração neste natal? Ou vai preferir
continuar vivendo as mesmas e velhas práticas, os mesmos e velhos hábitos, as
mesmas e velhas atitudes?
Se
levante, sacuda a poeira, caminhe, é possível que o caminho seja longo, mas não
importa, importa é o que você está buscando, você está buscando curar o seu
coração, e só quem pode fazê-lo é quem já tem o coração curado, e o Menino que
nasceu, o tem, a prova disso é que não reclamou com as fezes, nem com os capins,
nem com a dureza da estrebaria.
Mas
você ainda reclama, você ainda fala mal, você ainda se queixa, você ainda está insatisfeito,
você critica tudo, reclama de tudo, ou seja, o menino ainda não nasceu pra
você, seu coração ainda não foi curado por ele, seu coração ainda não foi
iluminado por ele, seu coração ainda não foi salvo por ele.
Mas
hoje você tem a chance de mudar tudo isso nesse natal, tome posse desse natal
na sua vida, deixe Jesus nascer no seu coração, deixe Jesus curar o seu
coração, deixe Jesus iluminar o seu coração, ferido, machucado e ressentido.
Diga
agora, Pai Santo toma o meu coração, magoado, triste e angustiado e cura-o
Senhor, restaura-o Senhor e o desperta para a paz, para o perdão e para o amor. É
verdade que às vezes falta-me coragem, falta-me disposição para me levantar, tenho
medo de romper comigo mesmo, tenho medo sair das minhas trevas, tenho medo de
abandonar os meus pecados. Então, Pai, dá-me a coragem, a mesma que deste ao
filho pródigo, a mesma que deste à pecadora, a mesma que deste a Zaqueu. A
coragem de me levantar, de sair de mim mesmo de poder arregaçar as mangas e partir
para Belém, me ajoelhar junto à manjedoura e beber da santidade que daí irradia
e converter essa experiência em atos de justiça e fraternidade, em atos de
perdão e amor junto aos tantos Jesus Meninos, aos tantos Jesus Jovens, aos
tantos Jesus homens Mulheres, que talvez como eu, continuam percorrendo este
caminho de salvação. Mas nós não queremos só percorrer, nós não queremos só nos
aproximar, nós queremos chegar, como chegaram os magos, como chegaram os
pastores, como chegaram todos aqueles que hoje celebram um Natal eterno e feliz
junto do Pai.

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