quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

HOMILIA DE QUARTA - FEIRA DE CINZAS


"Agora diz o Senhor, voltai a mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração e não as vestes, e voltai para o Senhor nosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo" Jl. 2,12-13.

Caríssimos irmãos, com a liturgia desta noite iniciamos o Tempo Quaresmal do ano Litúrgico de 2013. Tempo esse que começa através de uma proposta e de um convite feitos pelo Profeta Joel.

Meus irmãos, é importante conhecer um pouco desse profeta. Com ministério em Jerusalém, o profeta Joel deve ter exercido seu ministério pelos anos 400 antes de Cristo, seu nome significa o Senhor é Deus. Toda a sua mensagem, não só os versículos  de hoje, mas de todo o seu escrito é um convite ao arrependimento.

Os versículos de hoje fazem parte de um contexto catastrófico no qual Israel está envolvido, o que leva o povo a uma situação de grandes dificuldades principalmente no campo político e econômico.

Mas como os problemas não pararão por aí, Deus chama Joel para convocar, inquietar, intimar o povo, os líderes, os sacerdotes, ao arrependimento, como acabou de salientar o versículo que abre essa reflexão.

Meus irmãos, convidar o povo ao arrependimento, não significa fazer uma oração intimista e individualista,  girando em torno somente de nós e dos nossos problemas, mas principalmente perceber o que está acontecendo ao nosso redor, na casa que está ao lado da nossa, no bairro da nossa cidade, na comunidade da periferia, o que está acontecendo e poderá ainda acontecer de catastrófico no mundo, no que diz respeito à política, à cultural, à religião, ao meio ambiente, e à sociedade como um todo, e convidar os homens e as mulheres, os cidadãos de agora para numa atitude consciente e corajosa, como a do Profeta Joel, assumirem uma posição através da qual essa realidade ameaçadora seja inibida e impedida de se dá.

Nesse sentido, nos aspectos acima colocados, para não esquecer as palavras do profeta, rasgar os corações, significa sair dos discursos e das teorias feitas nas tribunas e nos palanques, e constituir de fato, um sistema social, político e econômico,  que inclua e que enxergue os homens, as mulheres, os jovens e as crianças deste país, não só no tempo da eleição, no dia de votar, mas inclua principalmente na conquista de direitos, moradia, emprego, saúde e educação de qualidade, e assim todo dia e o dia todo, todo ano e o ano todo, essa pátria amada  e idolatrada, ame e idolatre também os seus filhos, principalmente os seus filhos pobres.

Mas com já dissemos, estamos iniciando o Tempo Quaresmal, um tempo de resignação, de reflexão, de oração, de penitência, na verdade um tempo de conversão e santidade. 

Mas o que é converter hoje? O que é ser santo hoje? O mundo nunca rezou tanto, o mundo nunca falou tanto de Deus como agora. Mas isso é santidade? Isso é conversão? Penso que que o ser santo vai além do culto e da oração, vai além do canto e da comunhão, vai além do rito e da pregação. 

Há muita gente rezando, há muita gente pregando, há muita gente peregrinando, há muita gente entregando panfletos com orações, mas será que isto é conversão? É Santidade? 

No Evangelho de hoje nos é proposto a oração, mas são propostos também o jejum e a esmola, a caridade, a solidariedade, a partilha.

A caridade deve nos levar a pensar nos milhões de pessoas que não comem, não dormem dignamente, não têm moradia, não têm alegria. O Jejum é o sacrifício que faço em favor do irmão, no que compreende perdão, partilha, a misericórdia, e a justiça, para assim,  visibilizar e sentir,  o grande sacrifício que Jesus fez na Cruz por mim. 

Se a nossa oração não for capaz de sentir tudo isso, se a nossa oração não for capaz de abrir o nosso coração à partilha, à justiça, ao perdão e ao amor, é rezação, e não vai levar à nenhuma  santidade e à nenhuma conversão.

Rasgai os corações e não as vestes. Chega de culto de aparência, chega de papeizinhos com orações, chega de culto exterior, chega de rezação. Para Jesus, mas que o culto a pessoa, mais o culto a justiça, mais que o culto o direito, mais que  o culto a dignidade, mais que o culto, o perdão, o amor e a humildade.  


Como fazer isso? Tornando-se cinza como as cinzas de hoje, tornando-se pó, como o pó de hoje,  queimando-se, derretendo-se, derretendo o egoísmo, derretendo a vaidade, ou seja, consumindo-se, para ressurgir numa madrugada infinita.




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