domingo, 3 de fevereiro de 2013

HOMILIA IVDOMINGO TEMPO COMUM


JESUS EM NAZARÉ
Caríssimos irmãos a missão de qualquer profeta não é fácil. A de Jeremias, o profeta de hoje, foi cheia de conflitos. 
"Desde o início Deus o nomeia profeta das nações, ou seja, que esteja pronto para mergulhar no conflito. Mas contra quem Deus o envia? Quem é que irá persegui-lo? Primeiro, o profeta é enviado aos reis de Judá -  a palavra de Jeremias irá incomodar os que detêm o poder político, as  lideranças que usam o poder político em benefício próprio. Jeremias é profeta às vésperas do exílio e o que levou o povo ao exílio foram aqueles que detinham o poder político. Segundo, o profeta é enviado contra os latifundiários. Latifundiário é aquele que detém enormes quantidades de terras, e, no contexto de Jeremias, aqueles latifundiários o eram porque haviam se apoderado das terras dos pobres e os expulsados do campo. Terceiro, o profeta é enviado contra os sacerdotes, ali  haviam falsos sacerdotes, e a palavra de Jeremias vai mexer com essa gente. São esses três seguimentos sociais que perseguirão o profeta de Deus - mas não o vencerão" Revista Vida Pastoral.  Como assiná-la o último versículo de hoje: "Eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te, diz o Senhor".
Meus irmãos, ontem e hoje, Deus continua aliado, continua combatendo ao lado dos pobres como o fizera em toda a caminhada do povo de Israel, desde o Egito até a Terra Prometida. Agora no que diz respeito aos profetas, uma mercadoria praticamente esgotada. O povo continua sendo enganado, continua sendo enxotado do campo pelos "grandes projetos" capitalistas que ali chegam. Continua sendo enganado pelos "grandes políticos", aqueles que compram seu voto por duzentos reais, mesmo com o seu ingênuo e interesseiro consentimento, para depois deixarem as cidades jogadas, desprezadas como algumas cidades do Maranhão, e aqui eu cito Brejo que estive ontem, Tutóia, onde tenho ido com frequência, e tantas outras que nós conhecemos, passamos, visitamos e deixamos tristes pelo abandono e pelo sofrimento em que se encontram. Continua sendo enganado pelos "grandes sacerdotes" de hoje, falsos como os do tempo de Jeremias, infiltrados nas igrejas, incluindo a nossa também. Sacerdotes que oferecem sacrifício ao povo, quando o fazem pagar caro por uma "salvação fácil", ou falsa, não sei. Eles mesmos em nada se sacrificam, apenas enricam. Neste sentido é  urgente que novos Jeremias apareçam, para gritarem e reclamarem um mundo novo, um mundo de justiça, de vida e de paz. Um mundo que precisa surgir primeiro dentro das grandes estruturas religiosas, então, um grito que deve começar por dentro, depois por fora, para não ser um grito oco, abafado e hipócrita.

"Não é este o filho de José?" Meus irmãos depois de grande atividade em toda a região da judeia, Jerusalém, e com grandes sinais realizados, como vimos nesses dias, Jesus agora volta à sua terra. Deverá ter pensado no grande sucesso que teria e faria, principalmente nos atos que ali poderiam ocorrer. Mas tudo aconteceu diferente. Como vimos hoje, em vez de abertura e facilidade, Jesus encontra obstáculo e dificuldade. 
Não é este o filho de José? Poderia ter sido uma pergunta normal, mas não foi, foi uma pergunta debochada, uma pergunta provocativa, abusada, uma pergunta de quem não acreditava, não aceitava e não topava com o que estava vendo. O povo esperava um Messias espetacular, um messias capaz de ações fantásticas e mágicas. Eles jamais acreditam que Deus possa agir através de alguém tão simples e tão comum. Essa ação do povo de Nazaré, o deixa distante e sem contato com Jesus, sem contato, porém, com a libertação trazida por ele.
Certamente um dos grandes obstáculos está claro no texto de hoje, o povo busca milagres, sua fé depende de um ato mágico de Jesus, mas Jesus se recusa, porque a fé em Deus não pode depender de milagres, uma fé que depende de milagres, é um fé fraca, insegura, limitada, porque dura apenas enquanto durar o milagre. E Jesus percebeu que não era a falta de milagres a razão para tanto fechamento e dificuldade, era a falta mesmo de amor e humildade. Não, a fé não pode depender de milagres, a fé deve depender da total entrega que todos devemos fazer a Deus.






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