"Naqueles dias Saulo chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos tinham medo dele, pois não acreditavam que ele fosse discípulo". Atos 9,26
"Depois que Estêvão foi morto, e com a aprovação de Saulo, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Muita gente se dispersou pelas regiões da Judéia e Samaria. Saulo devastava a Igreja. Porém, no caminho de Damasco, quando o mesmo ainda seguia seu intuito perseguidor contra todos que seguissem a doutrina cristã, subitamente o cercou uma luz vinda do céu. E caindo por terra ouvia uma voz que lhe dizia: Saulo por que me persegues? ... Senhor que queres que eu faça? Levanta-te e entra na cidade".
Caríssimos irmãos agora entendemos a reação dos discípulos, seus medos e suas desconfianças em relação à pessoa de Paulo neste instante em que ele busca se juntar a eles. Para eles Paulo ainda é Saulo, aquele que eles o viram perseguindo, odiando e matando. E não o que caiu do cavalo, o que tirou as escamas dos olhos, o que abandonou o ódio e se vestiu de amor.
E agora, voltando às velhas indagações: Por que você está aqui? Você está aqui para purificar o seu cristianismo, você está aqui para depurar, para refinar o seu ser cristão. E se você quer um modelo, um exemplo a ser seguido, contemple Paulo, vejo-o agora rejeitado, desprezado, tendo todos os olhares torcidos na sua direção. Paulo desanimou? Paulo desistiu? Paulo se queixou? Não. Ao contrário, buscou entrar em comunhão com aquela comunidade, entendia o seu sentimento, entendia as suas razões, mas as mesmas não foram motivos para sair pelos cantos se queixando, reclamando, desistindo, chorando.
Quando eu repito, e me torno talvez até cansativo, quanto às perguntas que faço, é no sentido de avisar, de alertar, que na comunidade, na Igreja, no grupo, existem incompreensões, existem traições, existem contrariedades. E nessas horas uma pessoa desavisada quanto a essa possível realidade, pode desanimar, desistir, abandonar, como tantas e tantas já fizeram, e fizeram se achando as pessoas mais injustiçadas do mundo.
E o amor onde é que fica? Você pensa que amar é fácil? Todo amor trás uma dor, um sofrimento e às vezes a própria morte. Se você optou por amar, então só ame. Mas se ao amar, as respostas da outra parte foi só desgosto e decepção, então só ame. Mas se depois de todo serviço prestado, de toda doação, de toda entrega, só recebeu fel, amargor, então só ame.
"Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos: Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que em mim não dá fruto ele o corta". Jo. 15,1.
Eu quero cantar para meu amigo seu canto de amor a respeito da vinha: Meu amigo possuía uma vinha num outeiro fértil. Ele cavou e tirou delas pedras; plantou-a de cepas escolhidas. Edificou-lhe uma torre no meio, e construiu aí um lagar. E contava com uma colheita de uvas, mas ela só produziu agraço. Is. 5,1-3.
Caríssimos irmãos agora sabemos porque Jesus se auto proclama a videira verdadeira. Ele o faz, exatamente, porque Israel se tornou uma videira falsa, azeda e amarga.
Pois bem, deixando Israel e seu azedume de lado, pensemos agora que Jesus é o tronco da videira, nós os seus ramos, e os frutos nascem daí. Perguntemo-nos: Que tipo de fruto estamos produzindo neste momento? Um fruto agradável ao agricultor, ou um fruto amargo, azedo e ingrato?
Todo ramo separado do tronco seca, mucha e morre. Quantos irmãos generosos, serviçais, bondosos, um dia, decepcionados com as fragilidades de outros irmãos, com as fragilidades da própria Igreja se desligaram, se afastaram, do Cristo e da comunidade.
Talvez, pensaram que aqui era o céu, que aqui era santo, que aqui era luz. Aqui é céu sim, aqui é santidade sim, aqui é luz sim. Mas aqui também é trevas, aqui também é pecado, aqui também é imperfeição, aqui também é humanidade, aqui também é fragilidade. E tudo isso em algum momento se confunde, em algum momento se mistura, em algum momento se atropela. Não por acaso, mas no intuito de no fim, a luz vencer a treva, o céu vencer a terra, e a fragilidade ser superada pelo amor e pela santidade. Quem foge dessa luta, porque pensava que tudo já estava resolvido, perde a chance de se tornar santo e acaba secando, muchando e morrendo.
Podar é cortar, podar é ferir, podar não é só tirar os galhos secos, mas também os galhos verdes, aqueles que são excessivos e não somam para a pureza e para a santidade. Cada um sabe os galhos que tem, cada um sabe os defeitos que tem, cada um sabe, que, se quiser alcançar a santidade precisa aceitar a poda, precisa aceitar o corte, precisa aceitar a dor, precisa deixar sangrar, para daí brotar fraternidade, perdão, justiça e amor.
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